Meio Ambiente

COP30: Brasil avança em negociações climáticas, mas desafios persistem antes da conferência em Belém

As Reuniões Climáticas de Junho em Bonn trouxeram avanços para a COP30, mas questões de financiamento e adaptação permanecem em impasse. Diplomacia brasileira é elogiada, mas desafios persistem.

Atualizado em
June 26, 2025
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Sessão plenária de encerramento das Reuniões Climáticas de Junho em Bonn, na Alemanha, na madrugada desta sexta (27; na hora local) - Lara Murillo/UN Climate Change

As Reuniões Climáticas de Junho, realizadas em Bonn, na Alemanha, serviram como um termômetro para as negociações da COP30, que ocorrerá em Belém em novembro. O evento, focado em discussões técnicas, resultou em avanços em dois dos três temas prioritários da agenda brasileira. Apesar dos progressos, questões como financiamento e adaptação ainda permanecem em impasse, o que exige atenção redobrada na próxima conferência.

Claudio Angelo, coordenador de política internacional do Observatório do Clima, destacou que as vitórias nas negociações climáticas não são sempre claras. Ele avaliou que, considerando o contexto internacional desafiador, o Brasil foi aprovado em seu primeiro teste como presidente da COP30. As negociações, que começaram de forma lenta, ganharam impulso na reta final, estendendo-se até a madrugada do dia 27 de junho.

Embora não tenha sido alcançado um acordo final, os textos discutidos em Bonn estão em um estágio mais avançado para a COP30, o que pode facilitar as negociações. A meta global de adaptação, conhecida como GGA (Global Goal on Adaptation), teve um texto aprovado, mas ainda apresenta desacordos significativos entre países desenvolvidos e em desenvolvimento, especialmente em relação ao financiamento e indicadores de progresso.

A força-tarefa Adaptação como Prioridade Rumo à COP30, composta por diversas organizações não governamentais da América Latina, avaliou que, apesar dos avanços técnicos, a GGA não responde com a urgência que a situação exige. Outros temas, como os Planos Nacionais de Adaptação (NAPs) e o financiamento, continuam estagnados, o que pode complicar as discussões em Belém.

Houve também um acordo sobre a transição justa, que inclui referências à necessidade de se afastar dos combustíveis fósseis. Anna Cárcamo, especialista em política climática do Greenpeace Brasil, ressaltou que o texto final precisa avançar para a implementação efetiva. A terceira prioridade da delegação brasileira, o diálogo sobre o balanço global, teve avanços menos claros, com propostas que compilaram textos distintos, deixando decisões para a COP30.

A embaixadora Liliam Chagas, negociadora-chefe do Brasil, considerou os resultados da pré-COP positivos, afirmando que a maioria dos itens prioritários avançou. No entanto, a questão do financiamento, especialmente o público, ainda é um desafio que o Brasil terá que enfrentar. A postura da diplomacia brasileira foi elogiada por sua disposição em ouvir todas as partes. Em um momento em que a solidariedade é crucial, a união da sociedade civil pode ser fundamental para apoiar iniciativas que promovam a justiça climática e a adaptação às mudanças climáticas.

Folha de São Paulo
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