Meio Ambiente

Crianças em grandes cidades enfrentam desafios para brincar ao ar livre e se conectar com a natureza

Crianças brasileiras enfrentam a falta de contato com a natureza, com 37,4% das escolas sem áreas verdes. O governo de São Paulo promete escolas sustentáveis até 2026, mas nenhuma foi entregue até agora.

Atualizado em
June 27, 2025
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Nicolas Albino, 7, anda de bicicleta no estacionamento de um mercado perto de casa, um dos poucos lugares em que pode brincar no bairro onde mora, na zona norte de São Paulo - Raquel Franco/Folhapress

A falta de contato das crianças com a natureza é uma preocupação crescente, especialmente no Brasil, onde estudos recentes indicam que 37,4% das escolas não possuem áreas verdes. A situação é ainda mais crítica em favelas, onde esse número sobe para 52,4%. O governo de São Paulo anunciou planos para criar escolas sustentáveis até 2026, mas até o momento, nenhuma foi entregue.

Nicolas, uma criança de sete anos, exemplifica essa realidade. Ele conhece animais e insetos apenas por visitas ao zoológico e prefere atividades internas, como videogames, a brincar ao ar livre. Sua mãe, Thalita, relembra com nostalgia as brincadeiras que fazia na infância, em um bairro que já teve mais áreas verdes. O medo da violência e a falta de espaços seguros para brincar limitam as atividades das crianças.

Especialistas alertam que a ausência de contato com a natureza pode levar a problemas de saúde física e mental, como obesidade e distúrbios comportamentais. O termo "transtorno de déficit de natureza", criado pelo jornalista Richard Louv, destaca as consequências desse isolamento, que incluem atraso no desenvolvimento motor e aumento de doenças respiratórias. A falta de áreas verdes nas cidades contribui para um ambiente prejudicial à saúde das crianças.

Por outro lado, crianças que têm acesso à natureza, como Manuela, de quatro anos, apresentam benefícios significativos. Ela vive em uma área com vegetação e relata nunca ter tido alergias, mesmo com histórico familiar. O contato com o verde não só melhora a saúde física, mas também ajuda a prevenir transtornos como ansiedade e depressão, conforme aponta o psicólogo Marco Aurélio Carvalho.

Uma pesquisa do Instituto Alana revelou que muitas escolas não oferecem acesso adequado a áreas verdes. Em média, crianças em creches passam apenas duas horas ao ar livre durante um dia de dez horas. Essa realidade é preocupante, pois as crianças expressam o desejo de brincar mais em espaços naturais. A falta de tempo das famílias e a preocupação com a segurança são barreiras adicionais para o contato com a natureza.

Com a crescente urbanização e a escassez de áreas verdes, é fundamental que a sociedade civil se mobilize para criar e manter espaços que promovam o contato das crianças com a natureza. Projetos que visem a revitalização de áreas públicas e a criação de espaços verdes nas escolas podem fazer uma diferença significativa na saúde e bem-estar das futuras gerações.

Folha de São Paulo
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