Impacto Social

Crime organizado lucra dez vezes mais com produtos lícitos do que com drogas no Brasil

Estudo do Fórum Brasileiro de Segurança Pública revela que o crime organizado lucra mais com produtos lícitos do que com drogas, exigindo uma nova política de drogas e reinserção social.

Atualizado em
April 10, 2025
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Crime organizado lucra dez vezes mais com combustíveis, cigarros, bebidas alcoólicas e ouro do que com substâncias proibidas — Foto: Freepik.com

O debate sobre a descriminalização das drogas no Brasil continua polarizado, com muitos parlamentares e figuras públicas adotando uma postura punitivista. No entanto, um estudo recente do Fórum Brasileiro de Segurança Pública revela que o crime organizado obtém lucros significativamente maiores com produtos lícitos do que com drogas. Em 2022, as organizações criminosas faturaram R$ 146,8 bilhões com combustíveis, cigarros, bebidas alcoólicas e ouro, enquanto o lucro com cocaína foi de apenas R$ 15 bilhões.

Esses dados expõem a fragilidade do discurso punitivista, que ignora as verdadeiras fontes de receita do crime organizado. A criminalização de usuários e pequenos traficantes não apenas falhou em reduzir o consumo de drogas, mas também transformou os presídios em ambientes propícios para o recrutamento de novos membros por facções criminosas. Enquanto isso, as operações financeiras que sustentam o crime continuam praticamente intocadas.

A hipocrisia do discurso moralista sobre substâncias psicoativas é evidente, uma vez que drogas legalizadas, como o álcool e o cigarro, são mais lucrativas para as organizações criminosas. Aqueles que se opõem à regulamentação de drogas, incluindo a Cannabis medicinal e o cânhamo industrial, em nome da “proteção da sociedade”, ignoram a infiltração das facções nos mercados formais.

É urgente a necessidade de uma discussão madura sobre a política de drogas, fundamentada em evidências científicas. O combate ao crime organizado deve ser reorientado para investigações de inteligência financeira que desarticulem os verdadeiros fluxos de capital. A guerra às drogas, como demonstram os números, desvia a atenção do real problema, que é a estrutura econômica do crime.

Patrícia Villela Marino, presidente do Instituto Humanitas360, destaca que existem alternativas ao sistema prisional atual. A organização desenvolve projetos voltados à reinserção social de presos e egressos, promovendo o empreendedorismo cívico-social. Um exemplo é a marca Tereza, que capacita mulheres egressas e gera renda, mostrando que é possível construir uma justiça mais eficaz e inclusiva.

Para enfrentar as verdades incômodas sobre o crime organizado e a política de drogas, é essencial unir esforços em prol de alternativas que promovam a reinserção social e a saúde pública. Nessa luta, nossa união pode fazer a diferença, apoiando iniciativas que visem transformar a realidade de muitos e combater as estruturas que sustentam o crime.

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