Meio Ambiente

Descoberta de colônia portuguesa perdida na Amazônia revela segredos de um passado oculto pela vegetação

Arqueólogos descobriram uma colônia portuguesa perdida na Amazônia, revelando um complexo urbano com fortificações e canais, desafiando teorias históricas. A tecnologia lidar foi crucial para a descoberta.

Atualizado em
April 14, 2025
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Real Forte Príncipe da Beira, em Costa Marques, Rondônia - Rafael Vilela/The Washington Post

Pesquisadores liderados pelo arqueólogo Carlos Zimpel Neto descobriram uma colônia portuguesa perdida na Amazônia, revelando um complexo sistema urbano que desafia as teorias históricas sobre a região. A descoberta ocorreu em janeiro, quando a equipe utilizou tecnologia lidar (Light Detection and Ranging) para penetrar a densa vegetação e mapear estruturas ocultas, incluindo canais, estradas e fortificações militares.

A fortaleza militar Real Forte Príncipe da Beira, localizada no rio Guaporé, foi abandonada no início do século 19, mas registros históricos indicam que a colônia do século 18 se estendia muito além dela, possuindo uma população de pelo menos mil pessoas. A tecnologia lidar permitiu que os cientistas visualizassem o que estava escondido sob a floresta, revelando uma cidade chamada Lamego, com vestígios de vilas e igrejas.

As imagens obtidas pelo lidar coincidiram com mapas desenhados por um espião espanhol no século 18, mostrando a presença de uma segunda fortaleza e um elaborado sistema de gestão da água. Além disso, a pesquisa revelou estruturas que datam de sociedades indígenas avançadas, sugerindo que a Amazônia abrigou civilizações complexas, desafiando a ideia de que a região não possuía solo fértil para tal desenvolvimento.

O uso do lidar na Amazônia não se limita ao Brasil. Estudos na Bolívia e no Equador também revelaram vestígios de urbanismo sofisticado, incluindo pirâmides e plataformas monumentais. Essas descobertas têm reescrito a história da Amazônia, mostrando que a floresta escondeu por muito tempo evidências de civilizações que prosperaram antes da chegada dos europeus.

Apesar das descobertas significativas, a colônia portuguesa e outros vestígios arqueológicos estão ameaçados pelo desmatamento e incêndios florestais. A equipe de Zimpel encontrou ruínas que haviam sido consumidas pelo fogo, mas também localizou estruturas que permaneceram intactas. A preservação dessas áreas é crucial para garantir que a história da Amazônia não se perca novamente.

As recentes descobertas na Amazônia destacam a importância de proteger o patrimônio cultural e histórico da região. A união da sociedade civil pode ser fundamental para garantir a preservação dessas ruínas e promover projetos que valorizem a história e a cultura amazônica. Juntos, podemos fazer a diferença e apoiar iniciativas que busquem proteger esse legado inestimável.

Folha de São Paulo
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