Impacto Social

Desigualdade nas escolas de São Paulo: pesquisa revela condições precárias na rede pública em comparação à privada

Levantamento aponta que escolas públicas estaduais em São Paulo têm até 27 vezes mais desordem que as particulares, afetando saúde e segurança dos adolescentes. O estudo revela desigualdade alarmante na infraestrutura escolar.

Atualizado em
August 13, 2025
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Investigação de pesquisador da Faculdade de Medicina da USP se baseou em observação direta, questionários e dados de censo do Inep e envolveu 2.680 estudantes do 9º ano do ensino fundamental (imagem: Nikitabuida/Freepik)

Um levantamento recente realizado em escolas do município de São Paulo revelou desigualdades alarmantes entre as redes pública e privada de ensino. A pesquisa abrangeu dois mil seiscentos e oitenta estudantes do nono ano do ensino fundamental, distribuídos em cento e dezenove instituições de ensino. Os dados mostram que as escolas públicas estaduais apresentam até 27 vezes mais desordem em comparação às particulares, o que afeta diretamente a saúde e segurança dos adolescentes.

O estudo, publicado nos Cadernos de Pesquisa da Fundação Carlos Chagas, identificou até dezenove elementos de degradação nas escolas públicas estaduais, incluindo pichações, janelas quebradas e banheiros entupidos. O escore médio de desordem foi de 0,25 nas escolas particulares, 4,46 nas municipais e 6,67 nas estaduais. Em quase noventa por cento das escolas estaduais e mais de oitenta por cento das municipais, foi constatada ao menos uma forma de desordem, enquanto nas particulares essa situação ocorreu em apenas 21,9% das unidades.

Além da infraestrutura das escolas, o entorno também foi avaliado. Nos quarteirões onde se localizam as instituições públicas, foi observada uma maior presença de buracos nas calçadas, pichações e postes com lâmpadas quebradas. O pesquisador Cézar Luquine Júnior destacou que ambientes degradados podem favorecer comportamentos de risco entre os adolescentes, transmitindo uma mensagem de descaso e abandono.

A pesquisa utilizou quatro fontes principais de dados: questionários respondidos por estudantes, observação direta das instalações escolares, questionários administrativos preenchidos por diretores e dados do Censo da Educação Básica do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep). Embora o estudo não estabeleça relações causais entre o ambiente escolar e o comportamento dos alunos, futuras análises buscarão identificar grupos de adolescentes com diferentes padrões de risco.

Os dados também revelaram que a distorção idade-série no nono ano atinge quase vinte por cento dos alunos em escolas públicas, em contraste com apenas 4,6% nas particulares. O estudo enfatiza a diferença significativa entre o que é oferecido aos adolescentes da rede privada e o que encontram nas escolas públicas, impactando não apenas o rendimento escolar, mas também a forma como se sentem acolhidos e seguros.

A professora Maria Fernanda Tourinho Peres, orientadora de Luquine Júnior, ressaltou a importância do ambiente escolar na prevenção da violência. Os resultados do estudo são fundamentais para a adoção de medidas que visem prevenir comportamentos de risco, como bullying e violência. Em situações como essa, a união da sociedade civil pode fazer a diferença, promovendo iniciativas que melhorem as condições das escolas e o bem-estar dos jovens.

Agência FAPESP
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