Educação

Educação é barreira para inclusão de pessoas com deficiência, revela Censo 2022 do IBGE

Censo 2022 do IBGE revela que 2,4 milhões de brasileiros têm diagnóstico de autismo, enfrentando dificuldades na permanência escolar e acesso ao ensino superior. A inclusão ainda é um desafio.

Atualizado em
May 24, 2025
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Censo 2022: Sandra (à esquerda) com a filha Beatriz, que sofreu preconceitos de professor por ter autismo — Foto: Arquivo Pessoal

No Brasil, a inclusão de pessoas com deficiência na educação enfrenta desafios significativos, conforme revelado pelo Censo 2022 do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). O levantamento indicou que 2,4 milhões de brasileiros, ou 1,2% da população, possuem diagnóstico de autismo. Embora existam políticas para garantir o acesso à educação básica, a permanência escolar se torna mais difícil à medida que essas crianças crescem.

O Censo mostrou que a taxa de escolarização de crianças autistas é superior à da população geral, com 36,9% em comparação a 24,3%. Em 2022, entre os 45,7 milhões de estudantes de seis anos ou mais, 760,8 mil foram identificados com transtorno do espectro autista (TEA), representando 1,7% do total. A maioria desses alunos está na faixa etária de seis a quatorze anos, com uma predominância de meninos.

Entretanto, a situação se agrava entre os adultos. Quase 46,1% dos autistas com 25 anos ou mais não possuem instrução ou têm o ensino fundamental incompleto, enquanto na população geral esse percentual é de 35,2%. Apenas 15,7% dos autistas concluíram o ensino superior, em comparação com 18,4% da população em geral. A trajetória de Beatriz, uma jovem autista, exemplifica essas dificuldades, com relatos de preconceito até mesmo por parte de professores.

A pedagoga Sandra Gonçalves, mãe de Beatriz, destaca que a falta de suporte adequado nas universidades dificulta o acesso à educação para pessoas com TEA, especialmente aquelas com graus mais severos. Ela menciona que, apesar de Beatriz ter conseguido se alfabetizar, a falta de adaptações nos cursos impede seu avanço. Especialistas afirmam que a legislação de inclusão, embora recente, ainda precisa de melhorias e investimentos em formação profissional.

O Censo também revelou que, entre as mulheres autistas com 25 anos ou mais, 22,2% estavam estudando, um percentual superior ao das mulheres em geral (19,8%). Isso pode indicar um esforço dessas mulheres para retomar ou buscar formação, possivelmente através da Educação de Jovens e Adultos (EJA). Contudo, a exclusão educacional persiste, com 2,9 milhões de analfabetos entre pessoas com deficiência, refletindo uma taxa de 21,3%.

Os dados mostram que a inclusão educacional ainda é um desafio no Brasil, especialmente para pessoas com deficiência. A união da sociedade civil pode ser fundamental para promover projetos que garantam oportunidades e suporte a esses indivíduos. Iniciativas que visem melhorar a acessibilidade e a formação de profissionais podem fazer a diferença na vida de muitos, contribuindo para um futuro mais inclusivo.

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