Saúde e Ciência

Estudo propõe teste de equilíbrio mais eficaz para prever quedas em idosos e melhorar qualidade de vida

Estudo da Universidade de São Paulo propõe teste de equilíbrio simplificado para prever quedas em idosos, sugerindo permanência em posições desafiadoras por 30 segundos. A pesquisa destaca a importância de avaliações anuais para prevenir acidentes.

Atualizado em
July 1, 2025
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As quedas são a segunda causa de morte relacionada a ferimentos entre adultos com 65 anos ou mais. A recomendação é que pessoas idosas realizem rotineiramente testes de equilíbrio e mobilidade. Foto: pikselstock/Adobe Stock

As quedas entre idosos representam um grave problema de saúde, sendo a segunda causa de morte relacionada a ferimentos nessa faixa etária. Para mitigar esse risco, recomenda-se que pessoas com 65 anos ou mais realizem anualmente testes de equilíbrio e mobilidade durante suas consultas médicas. Um estudo recente, realizado com 153 participantes entre 60 e 89 anos, propôs um novo método de avaliação que promete ser mais simples e eficaz na detecção de problemas de equilíbrio.

O teste tradicional de equilíbrio exige que o idoso permaneça em quatro posições por dez segundos cada. No entanto, a pesquisa coordenada por Daniela Cristina Carvalho de Abreu, da Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto da Universidade de São Paulo (FMRP-USP), sugere que esse tempo é insuficiente. O estudo demonstrou que a permanência em apenas duas posições desafiadoras, como tandem e unipodal, por 30 segundos cada, é mais eficaz para prever o risco de quedas.

Os resultados indicam que, para cada segundo adicional que um idoso consegue manter-se nas posições de tandem ou unipodal, a chance de queda nos seis meses seguintes diminui em cinco por cento. Essa nova abordagem não apenas melhora a detecção de problemas sutis de equilíbrio, mas também permite uma previsão mais precisa do risco de quedas, facilitando a identificação de indivíduos que necessitam de avaliações mais detalhadas.

O estudo também utilizou uma plataforma de força para medir as oscilações corporais durante as posições. Os dados mostraram que, enquanto todos os participantes conseguiram manter a posição bipodal por 30 segundos, a maioria também conseguiu sustentar a posição semi-tandem. No entanto, os que caíram nos seis meses seguintes mantiveram-se na posição unipodal por uma média de 10,4 segundos, enquanto os que não caíram permaneceram por 17,2 segundos.

Esses achados ressaltam a importância de um teste de equilíbrio mais rigoroso, que pode ser realizado rapidamente em clínicas, sem a necessidade de equipamentos caros. A pesquisa sugere que o tempo mínimo para o teste de equilíbrio deve ser ampliado para mais de 23 segundos, a fim de detectar riscos elevados de queda que o método atual pode deixar passar.

Com a implementação desse novo modelo de teste, espera-se que a avaliação de risco de quedas se torne uma prática comum em consultas médicas para pessoas a partir de 60 anos. Essa mudança pode impactar significativamente a qualidade de vida dos idosos, promovendo um envelhecimento mais saudável. A união da sociedade civil pode ser fundamental para apoiar iniciativas que visem a prevenção de quedas e a promoção da saúde na terceira idade.

Estadão
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