Meio Ambiente

Estudo revela a importância da economia azul no Brasil e sua conexão com o desenvolvimento sustentável

Estudo da USP revela que a economia azul no Brasil representa 2,91% do PIB e 1,07% do emprego, destacando sua interconexão com cadeias econômicas internas e a necessidade de políticas integradas.

Atualizado em
July 18, 2025
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Setor mais relevante na composição do PIB Azul é extração de petróleo e gás natural (60,4%), seguido por administração pública e defesa (7,4%) e armazenagem e transporte (7,3%) (foto: Campo de Garoupa na Bacia de Campos, RJ/divulgação Petrobras via Flikr)

Um estudo da Universidade de São Paulo (USP) revelou que a economia azul, que abrange atividades econômicas ligadas aos recursos marinhos, representa 2,91% do Produto Interno Bruto (PIB) e 1,07% do emprego nacional. Os pesquisadores Eduardo Haddad e Inácio Araújo mapearam os impactos diretos e indiretos dessas atividades, destacando a interconexão entre o litoral e o interior do Brasil. O artigo foi publicado no periódico Ocean Sustainability.

O estudo utilizou um modelo inter-regional de insumo-produto, permitindo uma análise detalhada da economia do mar. Segundo Haddad, a pesquisa trouxe uma inovação ao mensurar a economia do mar, enfatizando a dimensão geográfica e as conexões da estrutura produtiva. O setor de extração de petróleo e gás natural é o mais relevante, contribuindo com 60,4% do PIB azul, seguido por administração pública e defesa (7,4%) e armazenagem e transporte (7,3%).

Ao considerar os efeitos indiretos, o impacto da economia azul sobe para 6,39% do PIB e 4,45% do emprego. Haddad explica que a interconexão econômica é tão profunda que a retirada de uma atividade ligada ao mar, como a pesca, afeta toda a cadeia de valor. Essa dinâmica mostra como a economia do mar se estende até regiões distantes, como Minas Gerais.

A pesquisa também revelou que a economia azul está concentrada na região Sudeste, onde Rio de Janeiro, São Paulo e Espírito Santo respondem por 82% da produção direta. No entanto, há especializações regionais, com o Nordeste se destacando em turismo costeiro e pesca artesanal. Haddad ressalta que a importância da economia do mar varia conforme a região, com o petróleo predominando no Rio de Janeiro e o turismo e a pesca no Ceará.

Os autores do estudo destacam a necessidade de superar a fragmentação das políticas marítimas no Brasil. Apesar de existirem políticas específicas, a articulação entre elas ainda é ineficaz para promover um desenvolvimento sustentável. A abordagem integrada adotada na pesquisa mede não apenas os efeitos diretos, mas também as interações com outras atividades econômicas, permitindo um melhor ajuste das políticas públicas às realidades locais.

A metodologia desenvolvida já está sendo aplicada em outras regiões, como Ilha da Madeira e Açores. A pesquisa visa contribuir para decisões ambientais e econômicas mais justas e eficazes. Em um contexto onde a economia azul é vital, a união da sociedade pode ser fundamental para apoiar iniciativas que promovam o desenvolvimento sustentável e a valorização dos recursos marinhos.

Agência FAPESP
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