Meio Ambiente

Pirarucu invade novos estados e ameaça ecossistemas com risco de extinção de espécies nativas

Pirarucu, peixe nativo da Amazônia, é encontrado em estados como Bahia e São Paulo, levantando preocupações ecológicas. Autoridades investigam soltura ilegal que pode ameaçar espécies locais.

Atualizado em
May 2, 2025
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Em abril, um pirarucu de quase 80 kg foi pescado no interior na Bahia por cinco amigos Imagem: Arquivo/Celso Carlos Batista

O pirarucu, um dos maiores peixes de água doce do mundo, tem sido encontrado em estados fora da bacia amazônica, como Bahia, São Paulo, Minas Gerais, Mato Grosso e Mato Grosso do Sul. Essa presença fora de seu habitat natural levanta preocupações sobre o impacto ecológico que a espécie pode causar, especialmente em relação a peixes nativos dessas regiões. A captura do pirarucu é regulamentada para evitar a extinção, mas a soltura ilegal pode agravar a situação.

O pirarucu pode atingir até três metros de comprimento e pesar mais de duzentos quilos. Ele é conhecido por sua carne saborosa e escamas resistentes, utilizadas em artesanato. A espécie, que vive em rios como o Amazonas e o Xingu, possui uma história que remonta a mais de cem milhões de anos, coexistindo com dinossauros. Lendas amazônicas atribuem sua origem a um indígena que foi transformado em peixe por Tupã.

Pesquisadores, como João Campos-Silva, presidente do Instituto Juruá, destacam que o pirarucu tem a capacidade de respirar ar atmosférico, o que lhe permite sobreviver em ambientes com baixos níveis de oxigênio. A pesca é permitida em áreas de manejo, com autorização do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (IBAMA), limitando a captura a trinta por cento dos peixes adultos contabilizados nos lagos naturais.

A presença crescente do pirarucu em novos estados é preocupante. Ele tem sido encontrado em represas e rios de São Paulo, como o Rio Grande, onde há suspeitas de soltura ilegal por pescadores ou criadores. Essa prática é considerada um risco ecológico, pois o pirarucu, sem predadores naturais fora de seu habitat, pode impactar negativamente a população de peixes nativos e competir por recursos.

Lidiane Franceschini, pesquisadora da Universidade Estadual Paulista (Unesp), alerta que a introdução do pirarucu em novos ambientes pode levar à extinção local de espécies nativas. A Secretaria de Meio Ambiente, Infraestrutura e Logística do Estado de São Paulo (Semil) recomenda que, uma vez capturados, os peixes não sejam devolvidos ao ambiente natural, mas sim enviados para cativeiros autorizados e instituições de pesquisa.

Recentemente, a Secretaria Estadual de Meio Ambiente (Sema) do Mato Grosso autorizou a pesca do pirarucu em rios onde a espécie é considerada exótica. Essa situação exige atenção da sociedade civil, que pode se mobilizar para apoiar iniciativas que visem a preservação da biodiversidade e a proteção das espécies nativas. A união em torno de projetos que promovam a conscientização e a conservação pode fazer a diferença na preservação dos ecossistemas afetados.

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