Meio Ambiente

Estudo revela que juvenis de tambaqui podem usar carboidratos como fonte de energia, reduzindo custos na aquicultura

Estudo da Universidade Estadual Paulista revela que juvenis de tambaqui utilizam carboidratos como fonte de energia, permitindo rações com menos proteína e custos reduzidos. A pesquisa, coordenada por Leonardo Takahashi, abre novas possibilidades para a aquicultura sustentável.

Atualizado em
May 19, 2025
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Experimento mostrou que a formulação ideal tem 260 g/kg de proteína digestível e 180 g/kg de amido (foto: Gabriela Carli)

Um estudo realizado no campus de Dracena da Universidade Estadual Paulista (Unesp) revelou que juvenis de tambaqui (Colossoma macropomum) conseguem utilizar carboidratos como fonte de energia, permitindo a redução do uso de proteína nas rações. A pesquisa, publicada no Journal of Animal Physiology and Animal Nutrition, sugere que a dieta ideal para otimizar o desempenho zootécnico e o metabolismo animal contém 260 gramas por quilo de proteína digestível e 180 gramas por quilo de amido.

Coordenado por Leonardo Takahashi, professor da Faculdade de Ciências Agrárias e Tecnológicas (FCAT-Unesp), o estudo envolveu a avaliação de seis dietas com diferentes proporções de proteína e carboidrato. A primeira autora, Gabriela Carli, destacou que a nutrição representa mais de setenta por cento dos custos na produção de peixes, sendo a proteína o componente mais caro.

Os resultados do estudo desafiam a ideia de que peixes são intolerantes a carboidratos, uma noção que persiste em parte da literatura. Takahashi explica que muitos estudos anteriores focaram em peixes de clima temperado, enquanto o tambaqui, um peixe nativo da Amazônia, possui um metabolismo adaptado ao consumo de alimentos ricos em carboidratos, como frutos e sementes.

Em pesquisas anteriores, os cientistas já haviam demonstrado que o tambaqui aproveita eficientemente glicose e frutose, o que fundamentou a formulação de uma dieta com maior teor de amido. O conceito de "efeito poupador de proteína" foi aplicado, visando substituir parte da proteína por fontes mais baratas, como carboidratos, permitindo que a proteína seja utilizada prioritariamente para o crescimento dos peixes.

As dietas testadas foram formuladas de forma isoenergética, respeitando as exigências nutricionais do tambaqui. As fontes proteicas incluíram farelo de soja, farinha de peixe e glúten de milho, enquanto o amido de milho foi a principal fonte de carboidrato. A pesquisa também visa minimizar a excreção de compostos nitrogenados, como a amônia, que são prejudiciais ao ambiente aquático.

Além de contribuir para a redução dos custos de ração, o estudo abre possibilidades para o uso de ingredientes locais na alimentação do tambaqui, especialmente na região Norte do Brasil. Essa abordagem pode beneficiar pequenos produtores, que frequentemente enfrentam dificuldades para adquirir ração adequada. A união da sociedade civil pode ser fundamental para apoiar iniciativas que promovam a sustentabilidade na aquicultura.

Agência FAPESP
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