Impacto Social

Gabriella Di Grecco clama por representatividade do Centro-Oeste no audiovisual brasileiro

Gabriella Di Grecco, atriz de produções da Disney, critica a invisibilidade da cultura do Centro-Oeste no audiovisual brasileiro e pede por narrativas mais inclusivas e complexas. Ela destaca que a região é frequentemente estereotipada e marginalizada, clamando por representatividade real e valorização de suas ricas tradições culturais.

Atualizado em
June 13, 2025
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Centro-Oeste nas telas: Gabriella Di Grecco questiona estereótipos e invisibilidade — Foto: Divulgação Rafael Monteiro

Gabriella Di Grecco, atriz reconhecida por seu trabalho em produções da Disney em língua hispano-portuguesa, como "Bia" e "O Coro", agora direciona seu olhar para a invisibilidade da cultura do Centro-Oeste no audiovisual brasileiro. Em sua trajetória, ela atuou em "Uma Babá Quase Perfeita", mas destaca a necessidade urgente de representatividade e narrativas mais complexas que retratem a rica diversidade cultural da região.

A artista cuiabana critica a forma como o Centro-Oeste é frequentemente reduzido a estereótipos, como "caipira" ou "pantaneiro", que não refletem a verdadeira riqueza cultural do Mato Grosso. "Parece que somos vistos apenas pelo agro e o Pantanal", afirma Gabriella, ressaltando que a cultura local é muito mais do que isso. Ela menciona a importância de narrativas que vão além do agronegócio e da música sertaneja, que, embora mereçam seu espaço, não podem ser as únicas referências da região.

Gabriella, que cresceu em um ambiente marcado por influências indígenas, africanas e europeias, observa que a diversidade do Centro-Oeste é frequentemente ignorada. Ela menciona que, mesmo em produções que se propõem a retratar a região, a cultura ribeirinha e as tradições locais são invisibilizadas. "Temos uma cultura ignorada pela grande mídia", destaca, referindo-se a ritmos como o siriri-cururu e influências linguísticas que moldam o jeito de falar em Cuiabá.

Com mais de uma década de experiência em produções urbanas e do Sudeste, Gabriella relata que já enfrentou comentários que questionavam sua aparência como mato-grossense. "Já perdi papéis por não 'parecer' mato-grossense", revela, enfatizando que a ideia de um "tipo físico" único limita a percepção da diversidade local. Ela defende que o olhar sudestino está distante da realidade do Brasil fora do eixo Rio-São Paulo.

A atriz acredita que o Brasil tem avançado na valorização de culturas historicamente invisibilizadas, mas ressalta que essa mudança ainda não abrange todo o país. "Fala-se muito em pluralidade, mas ela não pode parar em uma parte do mapa", afirma. Gabriella destaca que o Mato Grosso abriga três biomas únicos e uma cultura rica que merece ser representada de forma autêntica e complexa.

Gabriella Di Grecco conclui que é necessário promover histórias com camadas e personagens que vão além dos estereótipos simplistas. "Quando uma trama se passa na região sem representantes locais, é preocupante", alerta. A valorização da diversidade cultural do Centro-Oeste é essencial, e a união da sociedade pode ajudar a dar visibilidade a essas vozes e histórias, promovendo um ambiente mais inclusivo e representativo no audiovisual.

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