Impacto Social

Google deve revelar identidade de usuário que ameaçou youtuber após denúncias sobre adultização infantil nas redes sociais

O Tribunal de Justiça de São Paulo (TJ-SP) ordenou que o Google revele a identidade de um usuário que ameaçou de morte o influenciador Felca após suas denúncias sobre a sexualização de crianças. Felca, com milhões de seguidores, denunciou a 'adultização' de menores nas redes sociais, levando à prisão de Hytalo dos Santos e seu marido por tráfico humano e exploração sexual infantil.

Atualizado em
August 17, 2025
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Ameaças por e-mail feitas contra Felca no sábado, 16. Foto: Reprodução

O Tribunal de Justiça de São Paulo (TJ-SP) decidiu, no último domingo, que o Google deve quebrar o sigilo de um usuário que ameaçou de morte o influenciador digital Felipe Bressanim Pereira, conhecido como Felca. As ameaças ocorreram após Felca denunciar a 'adultização' de crianças nas redes sociais. O Google não comentou a decisão judicial. As mensagens continham expressões agressivas, como "vc vai se ferrar muito sua vida" e "vc vai morrer se prepara por sua vida".

O juiz Pedro Henrique Valdevite Agostinho determinou que o Google forneça dados que identifiquem o usuário, incluindo IPs de acesso e dados cadastrais. O magistrado estabeleceu uma multa diária de R$ 2 mil, limitada a R$ 100 mil, caso a ordem não seja cumprida. Felca havia solicitado que o processo tramitasse em segredo de Justiça, mas o pedido foi negado, pois o juiz considerou que não havia justificativa suficiente para tal medida.

A discussão sobre a adultização de crianças nas redes sociais ganhou destaque após Felca publicar um vídeo no dia 6 de agosto, onde expôs o crescimento desse tipo de conteúdo. O vídeo, que já conta com mais de 43 milhões de visualizações, mostra como os algoritmos das redes sociais podem expor menores a conteúdos impróprios. Felca possui uma grande audiência, com 17,7 milhões de seguidores no Instagram e 8,45 milhões no YouTube.

As denúncias de Felca levaram à prisão do influenciador Hytalo dos Santos e de seu marido, Israel Nata Vicente, acusados de tráfico humano e exploração sexual infantil. A defesa do casal alega inocência e afirma que sempre se colocaram à disposição das autoridades. O Ministério Público da Paraíba investiga a exploração de menores em vídeos que sexualizam crianças, além de práticas de aliciamento.

Segundo a denúncia, Hytalo pagava às famílias dos adolescentes cerca de três salários mínimos para que os menores ficassem em sua casa. Os jovens eram chamados de "cria" e tinham seus celulares apreendidos para que apenas Hytalo pudesse postar conteúdos nas redes sociais, concentrando a audiência em suas plataformas. O caso levanta preocupações sobre a segurança e a proteção de crianças nas redes sociais.

Essa situação evidencia a urgência de ações coletivas para proteger os direitos das crianças e adolescentes. Projetos que visem a conscientização e a regulamentação das redes sociais são fundamentais para evitar a exploração e a sexualização de menores. A união da sociedade civil pode ser um passo importante para garantir um ambiente mais seguro para as futuras gerações.

Estadão
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