Impacto Social

Governo propõe mudanças na formação de condutores para reduzir custos e ampliar acesso à CNH

O Ministério dos Transportes propõe mudanças para facilitar o acesso à Carteira Nacional de Habilitação (CNH), visando reduzir os 20 milhões de motoristas sem habilitação no Brasil. A medida busca democratizar o processo, tornando as autoescolas opcionais e permitindo ensino a distância, o que pode reduzir custos e aumentar a inclusão social.

Atualizado em
August 7, 2025
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Autoescola na zona sul de São Paulo; governo Lula quer acabar com obrigatoriedade de aulas práticas - Rubens Cavallari - 29.jul.20/Folhapress

A proposta do Ministério dos Transportes visa facilitar o acesso à Carteira Nacional de Habilitação (CNH) em resposta ao alarmante número de motoristas sem habilitação no Brasil, que chega a 20 milhões. O Instituto Nexus, por meio da pesquisa Perfil do Condutor Brasileiro, aponta que o modelo atual de formação é caro e burocrático, resultando em exclusão social. Entre os não habilitados, 56% desejam obter a CNH, mas enfrentam barreiras financeiras e de tempo, com 32% citando o custo como principal impedimento.

Além disso, 42% consideram o processo longo, e mesmo entre os habilitados, 36% apontam o custo como o maior desafio. A insatisfação é generalizada, com 66% da população considerando os valores cobrados injustificáveis e 69% apoiando reformas para reduzir custos e burocracia. A proposta de tornar as autoescolas opcionais, já adotada em outros países, é vista como uma solução viável por 60% dos entrevistados.

A informalidade na condução de veículos tem contribuído para o aumento dos acidentes de trânsito. No Maranhão, por exemplo, mais de 70% dos proprietários de motos não possuem CNH. A correlação entre renda e exclusão é evidente, com estados de menor renda apresentando maior número de motoristas sem habilitação e aumento nas mortes no trânsito, conforme dados da Secretaria Nacional de Trânsito (Senatran).

Outro dado relevante é que a exclusão é ainda mais acentuada entre as mulheres, com 66% sem habilitação. Isso reflete um padrão de machismo estrutural, onde, nas famílias, os homens são priorizados para arcar com os custos da CNH. A modernização proposta não comprometerá a segurança no trânsito, pois manterá as avaliações teóricas e práticas aplicadas pelos Departamentos Estaduais de Trânsito (Detrans).

As mudanças permitirão que os cidadãos se preparem para a obtenção da CNH de forma mais flexível, utilizando plataformas digitais e instrutores independentes credenciados. Essa abordagem busca adaptar-se às realidades e rotinas dos condutores, ampliando o acesso à habilitação sem abrir mão da qualidade do ensino. A democratização da CNH é uma forma de enfrentar a exclusão estrutural, reduzindo desigualdades e ampliando oportunidades.

Em um cenário onde a inclusão social é fundamental, iniciativas que visem apoiar a formação de motoristas e a redução de custos são essenciais. Vítimas de acidentes de trânsito e aqueles que buscam a habilitação podem se beneficiar de ações coletivas que promovam a inclusão e a segurança nas vias. A união da sociedade civil pode fazer a diferença na vida de muitos brasileiros que ainda enfrentam barreiras para obter a CNH.

Folha de São Paulo
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