Meio Ambiente

Mariangela Hungria da Cunha é reconhecida com o World Food Prize 2025 por sua pesquisa em insumos biológicos na agricultura

Mariangela Hungria da Cunha, pesquisadora da Embrapa, é a vencedora do World Food Prize 2025, reconhecida por sua pesquisa em insumos biológicos que reduz o uso de fertilizantes químicos no Brasil. Após anos de desafios em um campo dominado por homens e com financiamento irregular, ela se destaca por suas contribuições à agricultura sustentável, economizando até US$ 25 bilhões anualmente.

Atualizado em
July 28, 2025
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Manriangela Hungria ganhou o prêmio World Food Prize 2025 por seu trabalho com desenvolvimento de insumos biológicos. Foto: Luciano Pascoal

Mariangela Hungria da Cunha, pesquisadora da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa), foi anunciada como a laureada do World Food Prize 2025, uma das mais importantes condecorações na área da agricultura. A premiação reconhece sua contribuição significativa para a agricultura sustentável no Brasil, especialmente na redução do uso de fertilizantes químicos. Mariangela enfrentou desafios em um campo predominantemente masculino e com financiamento irregular para pesquisa.

Desde os oito anos, Mariangela sabia que queria ser microbiologista. Formou-se em Engenharia Agronômica na Universidade de São Paulo (USP) e, posteriormente, obteve mestrado e doutorado em fixação biológica do nitrogênio. Sua carreira na Embrapa começou em mil novecentos e oitenta e dois, onde atualmente lidera pesquisas que economizam ao Brasil até US$ 25 bilhões por ano em fertilizantes, promovendo uma produção agrícola mais sustentável.

Os insumos biológicos, que Mariangela pesquisa, funcionam como "fertilizantes naturais". Eles são microrganismos benéficos aplicados nas sementes ou no solo, melhorando o crescimento das plantas sem os impactos ambientais dos fertilizantes químicos. Hoje, o Brasil possui a maior taxa de inoculação do mundo na produção de soja, com oitenta e cinco por cento da soja cultivada utilizando insumos biológicos.

Além de reduzir custos, a utilização de insumos biológicos também diminui a emissão de gases de efeito estufa. Mariangela destaca que, na última safra de soja, a adoção desses insumos evitou a emissão de duzentas e trinta milhões de toneladas de CO2 equivalente. Essa abordagem não só melhora a saúde do solo, mas também contribui para a segurança alimentar, um dos objetivos de Mariangela em sua atuação na Academia Brasileira de Ciências.

Ela enfatiza que a agricultura sozinha não resolve o problema da fome, que é complexo e envolve diversos fatores, como educação e economia. Mariangela acredita que as mulheres desempenham um papel crucial na agricultura, transmitindo conhecimentos e cuidando das hortas comunitárias, o que é fundamental para a nutrição e a preservação de sementes.

O legado que Mariangela deseja deixar é uma homenagem às mulheres que, muitas vezes, são as responsáveis pela produção de alimentos. A união em torno de projetos que valorizem a agricultura sustentável e a contribuição das mulheres pode ser um caminho para enfrentar a fome e promover a segurança alimentar. Essa é uma oportunidade para a sociedade civil se mobilizar e apoiar iniciativas que visem a um futuro mais justo e sustentável.

Estadão
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