Meio Ambiente

Microplásticos detectados em placentas de gestantes brasileiras levantam preocupações sobre saúde fetal

Pesquisadores da Ufal e da Universidade do Havaí encontraram microplásticos em placentas e cordões umbilicais de gestantes brasileiras, levantando preocupações sobre a saúde fetal e a gestão de resíduos.

Atualizado em
July 25, 2025
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Pesquisadores da Universidade Federal de Alagoas (Ufal) e da Universidade do Havaí em Mānoa identificaram microplásticos em placentas e cordões umbilicais de gestantes brasileiras. O estudo, publicado na revista Anais da Academia Brasileira de Ciências, revela a presença de 110 partículas de microplásticos nas placentas de dez gestantes e 119 partículas nos cordões umbilicais de oito delas. Essa descoberta levanta preocupações sobre os riscos à saúde fetal, uma vez que as partículas podem atravessar a barreira placentária.

Os pesquisadores destacam que, embora as consequências dessa exposição precoce ainda não sejam totalmente compreendidas, a detecção de microplásticos em tecidos placentários é alarmante. O experimento foi realizado em hospitais de Maceió, onde os tecidos foram cuidadosamente coletados e analisados por espectroscopia Micro-Raman, uma técnica que permite identificar a composição química das micropartículas.

Os microplásticos, que são partículas menores que cinco milímetros, derivam da degradação de objetos plásticos no meio ambiente. Eles estão presentes em alimentos e no ar, podendo ser ingeridos ou inalados, acumulando-se em órgãos humanos como pulmões e cérebro. Estudos anteriores já haviam detectado microplásticos em outros órgãos, mas esta é a primeira pesquisa a documentar sua presença em placentas de gestantes brasileiras.

A pesquisa também destaca a desigualdade social, uma vez que as mulheres participantes pertencem a comunidades de menor status socioeconômico, que enfrentam maior exposição a contaminantes ambientais. Em Alagoas, 75% do lixo encontrado na orla é plástico, o que pode contaminar peixes e frutos do mar consumidos pela população local. Além disso, a falta de tratamento de água faz com que muitos moradores dependam de água engarrafada, que pode liberar microplásticos devido à exposição à radiação UV.

A exposição crônica a microplásticos está associada a diversas condições de saúde, incluindo inflamações crônicas e doenças neurodegenerativas. Estudos recentes indicam que a presença de microplásticos em tecidos cerebrais pode estar relacionada a casos de demência. A pesquisa em Maceió reforça a necessidade urgente de ações para melhorar a gestão de resíduos e monitorar a contaminação por microplásticos em alimentos e água.

Essa situação exige uma mobilização da sociedade civil para enfrentar os desafios impostos pela poluição plástica. Projetos que visem a melhoria da gestão de resíduos e a conscientização sobre os riscos dos microplásticos podem fazer a diferença na saúde das comunidades vulneráveis. A união em torno de iniciativas que promovam alternativas ao plástico tradicional é fundamental para proteger a saúde da população e do meio ambiente.

Medscape - Brasil
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