Saúde e Ciência

Monitores de glicose ganham popularidade entre saudáveis, mas especialistas alertam para riscos de uso indevido

Monitores de glicose, antes exclusivos para diabéticos, agora atraem pessoas saudáveis, mas especialistas alertam que seu uso pode gerar interpretações errôneas sobre a saúde glicêmica. A FDA aprovou esses dispositivos, mas sua eficácia em indivíduos com níveis normais de açúcar no sangue é questionada.

Atualizado em
July 27, 2025
Clock Icon
4
min
Sensor de glicose — Foto: Freepik

Os monitores de glicose, que antes eram utilizados apenas por pessoas com diabetes, estão se tornando populares entre indivíduos saudáveis. Essa tendência foi impulsionada por campanhas de marketing e pela recente aprovação da Food and Drug Administration (FDA) para a venda desses dispositivos. No entanto, estudos recentes indicam que esses aparelhos podem não trazer benefícios para quem possui níveis normais de açúcar no sangue, podendo até gerar interpretações errôneas sobre a saúde glicêmica.

Esses dispositivos, conhecidos como sensores, são aplicados na pele e monitoram continuamente os níveis de glicose no sangue. Eles são indolores e podem ser usados por até quatorze dias. Embora sejam essenciais para o controle da diabetes, sua popularidade entre pessoas saudáveis levanta questões sobre a real necessidade de seu uso. Jody Dushay, especialista endócrino, afirma que não há evidências suficientes que comprovem a utilidade desses monitores para quem não apresenta problemas de glicemia.

O uso indiscriminado desses dispositivos pode levar a uma interpretação equivocada das oscilações normais de açúcar no sangue, que ocorrem após refeições. Para pessoas saudáveis, é normal que os níveis de glicose aumentem após a ingestão de carboidratos e retornem ao normal em algumas horas. A Associação Americana de Diabetes define que níveis de glicemia em jejum entre setenta e noventa e nove miligramas por decilitro são saudáveis, enquanto valores acima de cento e vinte e seis miligramas por decilitro indicam diabetes.

Com a aprovação da FDA, as vendas desses monitores cresceram significativamente. Celebridades como Zeca Pagodinho e José Loreto foram vistas usando os dispositivos, o que contribui para sua popularização. No entanto, especialistas alertam que a utilização desses sensores por pessoas sem diabetes pode criar uma falsa sensação de necessidade e até mesmo patologias inexistentes, como destaca Dushay.

Além dos monitores, os glicosímetros, que realizam medições pontuais, continuam sendo uma ferramenta importante para o controle da diabetes. Ambos os métodos podem ser complementares, mas a precisão do glicosímetro é fundamental em caso de falhas do sensor. A Organização Mundial de Saúde (OMS) reporta um aumento de dezesseis por cento nos casos de diabetes globalmente desde dois mil e dezenove, o que representa mais de setenta milhões de novos casos.

Diante desse cenário, é essencial que a sociedade civil se mobilize para apoiar iniciativas que promovam a conscientização sobre o uso responsável de tecnologias de monitoramento de saúde. Projetos que visem educar sobre a diabetes e a importância do controle glicêmico podem fazer a diferença na vida de muitos. A união em torno de causas como essa pode ajudar a melhorar a saúde pública e a qualidade de vida de milhões de pessoas.

Leia mais

Osteoartrite atinge mais de 1 bilhão de pessoas até 2050; musculação é aliada no tratamento e prevenção
Saúde e Ciência
Clock Icon
3
min
Osteoartrite atinge mais de 1 bilhão de pessoas até 2050; musculação é aliada no tratamento e prevenção
News Card

Estudos recentes ressaltam a eficácia da musculação no tratamento da osteoartrite, melhorando a qualidade de vida e reduzindo a dor, com orientação médica essencial para a prática segura.

Cerca de 20% das internações na saúde do DF são de pacientes de outros estados em busca de atendimento especializado
Saúde e Ciência
Clock Icon
4
min
Cerca de 20% das internações na saúde do DF são de pacientes de outros estados em busca de atendimento especializado
News Card

Em 2024, 30% dos partos na SES-DF foram de mães de outros estados, com Goiás em destaque. O secretário de Saúde, Juracy Lacerda, enfatiza a necessidade de planejamento para atender a demanda crescente.

Ministério da Saúde lança programa para aumentar número de especialistas e reduzir filas no SUS
Saúde e Ciência
Clock Icon
3
min
Ministério da Saúde lança programa para aumentar número de especialistas e reduzir filas no SUS
News Card

O ministro da Saúde, Alexandre Padilha, lançou o programa Agora Tem Especialistas, com 1,7 mil vagas para aprimoramento de médicos e 1 mil novas bolsas de residência multiprofissional, visando melhorar o atendimento no SUS.

Vereadora anuncia repasse de R$ 1,3 milhão para reforma elétrica do Hospital Santa Cruz em presente do noivo deputado
Saúde e Ciência
Clock Icon
3
min
Vereadora anuncia repasse de R$ 1,3 milhão para reforma elétrica do Hospital Santa Cruz em presente do noivo deputado
News Card

Vereadora Nicole Weber (PSDB) anunciou R$ 1,3 milhão para o Hospital Santa Cruz, recurso do noivo, deputado Covatti Filho (PP-RS), para reforma elétrica e climatização.

Sotatercept reduz em 76% risco de morte e hospitalização em pacientes com hipertensão arterial pulmonar
Saúde e Ciência
Clock Icon
4
min
Sotatercept reduz em 76% risco de morte e hospitalização em pacientes com hipertensão arterial pulmonar
News Card

Um novo tratamento com sotatercept demonstrou reduzir em 76% o risco de morte e hospitalização em pacientes com hipertensão arterial pulmonar avançada, levando à interrupção do estudo para acesso imediato ao fármaco. A pesquisa, coautoria de Rogério Souza da USP, destaca a eficácia do medicamento em um cenário crítico, onde opções anteriores mostravam resultados limitados.

Malária assintomática desafia controle da doença em áreas urbanas da Amazônia, revela pesquisa da USP
Saúde e Ciência
Clock Icon
4
min
Malária assintomática desafia controle da doença em áreas urbanas da Amazônia, revela pesquisa da USP
News Card

Pesquisas do professor Marcelo Urbano Ferreira, da USP, mostram que a malária em áreas urbanas da Amazônia é majoritariamente assintomática, dificultando o controle da doença. Métodos moleculares revelam até dez vezes mais infecções.