Saúde e Ciência

Obesidade e saúde mental: especialistas debatem a complexa relação entre doenças físicas e psiquiátricas

A obesidade é uma doença crônica complexa, associada a riscos elevados de transtornos mentais, conforme discutido no Congresso Brasileiro de Psiquiatria. Especialistas debatem sua classificação como doença psiquiátrica.

Atualizado em
July 2, 2025
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Pesquisadores têm debatido se é possível definir a obesidade como uma doença psiquiátrica Foto: New Africa/Adobe Stock

A obesidade é classificada pela Organização Mundial da Saúde (OMS) como uma doença crônica complexa, caracterizada por depósitos excessivos de gordura que podem prejudicar a saúde. Essa condição é multifatorial, resultante de uma combinação de fatores ambientais, psicossociais e genéticos. A obesidade está associada a um aumento significativo do risco de diabetes tipo 2, doenças cardíacas e mais de treze tipos de câncer, além de estar ligada a transtornos mentais.

Um estudo de 2013, publicado na revista BMC Psychiatry, revelou que dois em cada cinco pacientes com sobrepeso ou obesidade apresentavam pelo menos um transtorno psiquiátrico. Mais recentemente, um estudo austríaco de 2023, publicado no periódico Translational Psychiatry, analisou dados de três milhões de pacientes e constatou que aqueles com obesidade tinham um risco significativamente maior de desenvolver transtornos mentais, como depressão e ansiedade.

Durante o último Congresso Brasileiro de Psiquiatria, realizado em Brasília, especialistas discutiram a relação entre obesidade e saúde mental. O psiquiatra Táki Cordás, coordenador do Programa de Transtornos Alimentares do Instituto de Psiquiatria da USP, argumentou que a obesidade deve ser considerada uma doença sistêmica, afetando várias áreas da medicina, incluindo a psiquiatria. Ele destacou que o estigma associado à obesidade, que a relaciona à falta de vontade, é prejudicial e simplista.

Por outro lado, o endocrinologista Neuton Dornelas, vice-presidente da Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia, defendeu que a obesidade não deve ser classificada como um transtorno mental. Ele citou uma revisão de 2009 que concluiu que havia poucas evidências para apoiar essa classificação, embora reconhecesse a importância de considerar a adiposidade no manejo de transtornos psiquiátricos.

Os especialistas concordam que a obesidade e os transtornos mentais estão interligados, e a abordagem deve ser multidisciplinar. O tratamento pode incluir mudanças no estilo de vida, terapia cognitivo-comportamental, nutrição, atividade física, medicamentos e cirurgia bariátrica. A psicóloga Rogeria Taragano enfatizou a importância de abordar questões emocionais no tratamento da obesidade, destacando o fenômeno do "comer emocional", que pode agravar a condição.

Com a previsão de que mais da metade da população adulta mundial viverá com sobrepeso e obesidade até 2035, é crucial que a sociedade civil se una para apoiar iniciativas que promovam a conscientização e o tratamento adequado dessa condição. A colaboração pode ser fundamental para ajudar aqueles que enfrentam os desafios da obesidade e suas consequências para a saúde mental.

Estadão
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