Meio Ambiente

Olhos d’água difusos são negligenciados em políticas de proteção hídrica no Cerrado, alertam pesquisadores

Pesquisadores alertam sobre a negligência dos olhos d’água difusos, essenciais para a segurança hídrica, que estão sendo desprotegidos apesar da legislação existente. A falta de aplicação da Lei de Proteção da Vegetação Nativa resulta em perda significativa de vegetação no Cerrado.

Atualizado em
July 10, 2025
Clock Icon
4
min
Os olhos d’água difusos (áreas de solos saturados permanentemente ou sazonalmente pelo afloramento do lençol freático) compõem formações como os campos úmidos e são protegidos como APPs pela Lei 12.651/2012 (imagem: Rafael Oliveira/Perspectives in Ecology and Conservation)

Pesquisadores brasileiros alertam para a negligência dos olhos d’água difusos, que são essenciais para a segurança hídrica, apesar de estarem protegidos pela Lei de Proteção da Vegetação Nativa. Essas áreas, responsáveis pela formação dos campos úmidos do Cerrado, são frequentemente ignoradas em políticas públicas e práticas de licenciamento. A desconexão entre a terminologia técnica e jurídica é um dos principais fatores que contribuem para essa invisibilidade, segundo o grupo de pesquisadores.

Os olhos d’água difusos se caracterizam por serem áreas onde a água subterrânea aflora de maneira contínua, mas sem formar um ponto específico de exsudação. Isso os diferencia dos olhos d’água pontuais, que emergem em locais definidos. A falta de reconhecimento dessas áreas como protegidas resulta em desmatamento e drenagem, levando à perda de mais de quinhentos e oitenta mil hectares de vegetação nativa entre mil novecentos e oitenta e cinco e dois mil e vinte.

Alessandra Bassani, primeira autora do artigo publicado na revista Perspectives in Ecology and Conservation, destaca que a legislação já prevê a proteção dos olhos d’água difusos, mas a aplicação da lei é falha. A Lei de Proteção da Vegetação Nativa classifica esses afloramentos como Áreas de Preservação Permanente (APP), mas a terminologia não é utilizada corretamente em mapeamentos e fiscalizações, resultando em uma proteção inadequada.

Os campos úmidos do Cerrado desempenham funções hidrológicas cruciais, como a recarga de aquíferos e a manutenção do fluxo de rios, especialmente em períodos de seca. A supressão desses ecossistemas compromete a disponibilidade de água para comunidades e a agricultura, aumentando o risco de colapso hídrico em regiões como o Cerrado e o Pantanal. A proteção efetiva dessas áreas é, portanto, vital para a segurança hídrica nacional.

Os pesquisadores propõem duas ações prioritárias: a adoção consistente da terminologia “olhos d’água” e a elaboração de mapas de alta resolução que diferenciem áreas úmidas ripárias das não ripárias. Técnicas como sensoriamento remoto e a identificação de solos hidromórficos podem ser utilizadas para melhorar o reconhecimento e a proteção dessas áreas. A presença de certas espécies vegetais também pode indicar a saturação do solo por água subterrânea.

O estudo ressalta a importância de alinhar ciência e política pública para garantir a proteção de ecossistemas essenciais. A aplicação correta da legislação pode ser um passo decisivo para evitar a degradação dos olhos d’água difusos. A mobilização da sociedade civil é fundamental para apoiar iniciativas que visem a preservação desses ambientes, garantindo a segurança hídrica e climática do Brasil.

Agência FAPESP
Quero ajudar

Leia mais

Mudanças climáticas ameaçam cultivo da erva-mate na América do Sul, aponta estudo da Unesp
Meio Ambiente
Clock Icon
4
min
Mudanças climáticas ameaçam cultivo da erva-mate na América do Sul, aponta estudo da Unesp
News Card

Estudo da Unesp alerta que mudanças climáticas podem reduzir áreas adequadas para cultivo da erva-mate de 12,25% para apenas 2,2% até o final do século, impactando a produção e o custo.

Claro! Por favor, forneça as informações sobre o tema ou evento que você gostaria que eu transformasse em um título.
Meio Ambiente
Clock Icon
3
min
Claro! Por favor, forneça as informações sobre o tema ou evento que você gostaria que eu transformasse em um título.
News Card

Um novo projeto de energia solar foi lançado, com previsão de aumentar a capacidade de geração em trinta por cento em dois anos, impulsionado por investimentos privados e apoio governamental.

"Frente fria provoca chuvas intensas e queda de temperatura no Sudeste e Sul do Brasil"
Meio Ambiente
Clock Icon
4
min
"Frente fria provoca chuvas intensas e queda de temperatura no Sudeste e Sul do Brasil"
News Card

Uma faixa de instabilidade causará chuvas intensas e queda de temperatura no Brasil, com geadas no Sul. O Inmet alerta para riscos de alagamentos e danos à saúde devido ao frio.

Ministério da Integração reconhece emergência em 126 cidades do Piauí devido à seca prolongada
Meio Ambiente
Clock Icon
3
min
Ministério da Integração reconhece emergência em 126 cidades do Piauí devido à seca prolongada
News Card

O Ministério da Integração e do Desenvolvimento Regional reconheceu a emergência hídrica em 126 cidades do Piauí, permitindo acesso a recursos federais para ações de defesa civil. A situação crítica da seca afeta a população local.

Setor de saúde adota soluções sustentáveis para enfrentar a crise climática e melhorar o acesso à saúde
Meio Ambiente
Clock Icon
4
min
Setor de saúde adota soluções sustentáveis para enfrentar a crise climática e melhorar o acesso à saúde
News Card

A Siemens Healthineers está promovendo inovações sustentáveis em diagnóstico por imagem, reduzindo emissões e melhorando o acesso à saúde em áreas vulneráveis, em resposta à crise climática.

Lula critica negacionismo e unilateralismo em cúpula do Brics e defende ações para mudanças climáticas e saúde global
Meio Ambiente
Clock Icon
3
min
Lula critica negacionismo e unilateralismo em cúpula do Brics e defende ações para mudanças climáticas e saúde global
News Card

Durante a cúpula do Brics, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva destacou a urgência de triplicar energias renováveis e criticou o negacionismo e o unilateralismo que ameaçam o futuro. Ele defendeu a recuperação da OMS e a justiça climática, enfatizando a necessidade de investimentos em saúde global.