Impacto Social

Pejotização e maternidade: mulheres enfrentam demissões e precarização no mercado de trabalho brasileiro

Cresce a pejotização no Brasil, afetando especialmente mulheres grávidas, que enfrentam demissões sem direitos trabalhistas. O STF suspendeu processos sobre a legalidade dessa prática, gerando insegurança e precarização.

Atualizado em
August 12, 2025
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Mulher sentada em uma mesa em frente a um computador com um bebê no colo - Getty Images

Recentemente, o Supremo Tribunal Federal (STF) suspendeu a tramitação de processos que discutem a legalidade da pejotização, prática que permite a contratação de trabalhadores como pessoas jurídicas, evitando encargos trabalhistas. Essa decisão ocorre em um contexto onde mulheres grávidas enfrentam demissões sem direitos, como evidenciado pelo caso de Grace Venâncio de Brito Urbinati, que foi demitida ao informar sua gravidez. A fisioterapeuta, contratada como Microempreendedora Individual (MEI), não teve acesso a benefícios como licença-maternidade e estabilidade no emprego.

Grace relatou que, após a demissão, sua renda caiu drasticamente, levando-a a buscar trabalho como freelancer, mas recebendo menos da metade do que ganhava anteriormente. Ela tentou reivindicar seus direitos na Justiça, mas a suspensão dos processos pelo STF impede essa possibilidade. A pejotização, que tem crescido no Brasil, é vista por muitos como uma forma de precarização do trabalho, especialmente para mulheres, que frequentemente são demitidas durante a gestação.

Larissa, outra mulher afetada, também foi demitida enquanto grávida. Ela trabalhava como PJ em uma agência de marketing e enfrentou comentários desestimulantes sobre sua capacidade de conciliar trabalho e maternidade. A insegurança no emprego a levou a aceitar trabalhos como freelancer, uma situação que não era seu desejo inicial. A pressão para se adaptar a um novo modelo de trabalho, que não oferece garantias, é uma realidade para muitas mulheres no mercado.

Dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) revelam que apenas três por cento das mulheres em vínculos formais solicitaram licença-maternidade em 2023, um número alarmante que indica a precarização do trabalho feminino. Além disso, uma em cada cinco mulheres é demitida até dois anos após a licença-maternidade, evidenciando a falta de proteção no mercado de trabalho. As trabalhadoras contratadas como PJ não têm acesso a direitos básicos, como férias, 13º salário e estabilidade.

A pejotização é um tema controverso, com especialistas divididos sobre sua legalidade e impacto. Enquanto alguns defendem que essa prática oferece flexibilidade e autonomia, outros alertam que ela pode mascarar vínculos de emprego e prejudicar trabalhadores, especialmente mulheres. O STF convocou uma audiência pública para discutir a questão, reconhecendo sua relevância econômica e social.

O aumento da pejotização e a precarização do trabalho exigem uma resposta da sociedade. Projetos que visam apoiar mulheres grávidas e mães no mercado de trabalho são essenciais para garantir direitos e dignidade. A união em torno dessas causas pode fazer a diferença na vida de muitas trabalhadoras que enfrentam desafios diários em busca de segurança e reconhecimento profissional.

Folha de São Paulo
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