Meio Ambiente

Pesquisadores da USP analisam saúde do boto-do-araguaia, espécie ameaçada de extinção na Amazônia

Pesquisadores da USP e instituições parceiras analisaram a saúde do boto-do-araguaia, revelando diferenças sanguíneas entre indivíduos de áreas com distintas atividades humanas. A espécie, descoberta em 2014, enfrenta riscos de extinção.

Atualizado em
May 22, 2025
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Boto-do-Araguaia com coloração acinzentada emergindo de um rio. - Fonte: USP Imagens

A espécie do boto-do-araguaia (Inia araguaiaensis) foi oficialmente identificada em 2014 e já enfrenta riscos de extinção. Pesquisadores do Instituto de Biociências da Universidade de São Paulo (USP) realizaram uma expedição na bacia hidrográfica Tocantins-Araguaia para estudar as características físicas e de saúde dessa espécie endêmica, que está ameaçada por atividades humanas.

O estudo, em colaboração com a Universidade Federal do Amazonas (Ufam) e o Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (Inpa), comparou dados de botos de áreas com diferentes níveis de atividade humana. A pesquisa revelou que, apesar de serem semelhantes, o boto-do-araguaia não é da mesma espécie que o boto vermelho (Inia geoffrensis), conhecido como boto cor-de-rosa.

As informações sobre o boto-do-araguaia ainda são limitadas, o que motivou a pós-doutoranda em Fisiologia, Daniela M. D. de Mello, a investigar as populações desse golfinho. A espécie habita regiões com intensa atividade agrícola, que, junto com as variações sazonais de enchentes e secas, reduzem drasticamente os níveis dos rios, colocando os botos em risco de ficarem presos em pequenos corpos d'água.

Os pesquisadores analisaram parâmetros morfológicos, fisiológicos e hormonais de 24 botos em duas regiões do rio Araguaia: uma no Parque Estadual do Cantão, no Tocantins, e outra em Luiz Alves, Goiás, uma área de pesca esportiva. A coleta de dados incluiu medidas corporais, temperatura e frequência cardíaca, além de amostras para análise laboratorial.

Os resultados preliminares mostraram diferenças significativas nos exames hematológicos e bioquímicos entre os botos das duas regiões. A pesquisadora destacou que as variações nos parâmetros sanguíneos estão relacionadas aos diferentes ambientes e tipos de presas disponíveis. A profundidade da água, por exemplo, influencia o comportamento de mergulho dos botos e, consequentemente, suas condições de saúde.

Compreender a saúde e as características físicas do boto-do-araguaia é essencial para a conservação da espécie. Como um animal de topo de cadeia, ele serve como um indicador da saúde do ecossistema. A união da sociedade pode ser fundamental para apoiar iniciativas que visem a preservação desse cetáceo e seu habitat, garantindo um futuro mais seguro para a fauna local.

Jornal da USP - Saúde
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