Meio Ambiente

Cerrado em crise: queda de chuvas e incêndios ameaçam recursos hídricos e agropecuária no Brasil

O cerrado, vital para a agropecuária e recursos hídricos do Brasil, enfrenta uma severa crise hídrica, com queda de 21% na precipitação e 27% na vazão dos rios, além de incêndios devastadores. A pressão do agronegócio e a mudança climática agravam a situação, colocando em risco a vegetação e a biodiversidade do bioma.

Atualizado em
June 27, 2025
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Leito seco de rio em área de desertificação do cerrado, em Gilbues (PI) - Lalo de Almeida - 20.mar.24/Folhapress

O cerrado, um bioma essencial para a agropecuária e os recursos hídricos do Brasil, enfrenta uma grave crise. Dados da Agência Nacional de Águas e Saneamento Básico revelam que a precipitação média no cerrado caiu de 680 mm anuais entre 1970 e 1979 para 539 mm de 2012 a 2021, representando uma redução de 21%. Essa diminuição na chuva impacta diretamente a vazão dos rios, que também sofreu uma queda de 27%, passando de 4.742 m³/s para 3.444 m³/s.

O relatório "Cerrado: O Elo Sagrado das Águas do Brasil", da Ambiental Media, destaca que a savana já perdeu metade de sua vegetação original, enquanto a Amazônia perdeu menos de 20%. O agronegócio, que representa um terço do PIB do setor no Centro-Oeste, é um dos principais responsáveis pela pressão sobre o cerrado, especialmente com a produção de soja, milho e carne bovina.

Este bioma cobre 25% do território nacional e é vital para oito das doze principais regiões hidrográficas do Brasil. Embora não seja a área com maior produção hidrelétrica, suas cabeceiras alimentam rios que abastecem barragens em outras partes do país. O cerrado, adaptado ao fogo sazonal, está sendo severamente afetado por incêndios provocados pelo uso antrópico das chamas para manejo de pastos.

De acordo com o "Relatório Anual do Fogo" do sistema MapBiomas, em 2024, o cerrado concentrou 35% do total queimado no Brasil. Entre 1985 e 2024, aproximadamente 37 mil km² da área foram afetados por incêndios em pelo menos 16 ocasiões. Yuri Salmona, coordenador do estudo, compara o cerrado a um coração que pulsa água pelo Brasil, alertando que "esse coração está infartando".

A mudança climática agrava essa situação, e o agronegócio, que é tanto responsável pela devastação quanto vítima desse desequilíbrio, ainda não reconheceu a gravidade do problema. A urgência em agir é evidente, pois a degradação do cerrado pode comprometer não apenas a biodiversidade local, mas também a segurança hídrica de diversas regiões do Brasil.

Nesta conjuntura, é fundamental que a sociedade civil se mobilize para apoiar iniciativas que visem a preservação do cerrado e a recuperação de áreas degradadas. A união em torno de projetos que promovam a sustentabilidade e a proteção ambiental pode fazer a diferença na luta contra a degradação desse bioma vital.

Folha de São Paulo
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