Meio Ambiente

Pampa enfrenta grave ameaça: campos nativos desaparecem em ritmo alarmante no Brasil

O Pampa, bioma brasileiro, enfrenta grave perda de vegetação campestre, com 140 mil hectares desaparecendo anualmente e apenas 0,5% protegido, exigindo urgente valorização e proteção. A transformação em lavouras de soja é a principal causa dessa devastação.

Atualizado em
July 17, 2025
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Valentina Fraiz/Instituto Serrapilheira

O Brasil é amplamente reconhecido por suas florestas, especialmente a Amazônia e a Mata Atlântica, que são frequentemente associadas à preservação ambiental. Contudo, essa visão pode obscurecer a importância de outros biomas, como o Pampa, que enfrenta uma grave crise de conservação. Desde 1985, o Pampa perdeu uma quantidade alarmante de áreas naturais, com uma média de 140 mil hectares desaparecendo anualmente, enquanto apenas 0,5% do bioma está protegido.

O Pampa, que representa apenas 2,3% do território nacional, abriga cerca de 9% da biodiversidade brasileira, com mais de 12.500 espécies, muitas delas exclusivas dessa região. A vegetação predominante é campestre, composta por plantas herbáceas e arbustos, com uma cobertura de apenas 31,3%. A transformação dessas áreas em lavouras de soja, uma das principais commodities do Brasil, é a principal causa dessa perda significativa.

Além disso, a legislação atual não considera a remoção da vegetação campestre como desmatamento, o que agrava a situação. O termo "descampamento" poderia ser mais apropriado, pois o que está sendo perdido são campos naturais, não florestas densas. A queda no desmatamento florestal no Rio Grande do Sul, por exemplo, não reflete a realidade do Pampa, onde a vegetação nativa está desaparecendo silenciosamente.

Desde 2012, a análise da cobertura vegetal do MapBiomas mostra que a perda de campos nativos no Pampa é alarmante. Em 1985, existiam 9,6 milhões de hectares de campos, que hoje foram reduzidos para apenas 6,1 milhões. Se essa tendência continuar, em cerca de 44 anos não restarão campos nativos. A agricultura já ocupa mais de 45% do bioma, com 63% dessa área dedicada a lavouras.

As brechas legais que permitem a manutenção de áreas invadidas por espécies exóticas, como o capim-annoni, como "uso consolidado" são uma preocupação adicional. Essas áreas, mesmo que possam ser revertidas, são reconhecidas legalmente e podem ser mantidas, prejudicando ainda mais a conservação do Pampa. Proteger esses campos é essencial não apenas para a natureza, mas também para a identidade cultural e a sociodiversidade da região sul do Brasil.

A perda de espécies e paisagens nativas compromete serviços ecossistêmicos que ajudam a mitigar os efeitos de enchentes e mudanças climáticas. A sociedade civil, os governos e os legisladores precisam reconhecer a importância das vegetações não florestais e agir para proteger o Pampa. Nessa luta, a união da comunidade pode fazer a diferença, promovendo iniciativas que valorizem e preservem essa rica biodiversidade.

Folha de São Paulo
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