Impacto Social

Professor do CAP UFRJ denuncia racismo recreativo após alunos zombarem de seu cabelo e intimidarem a direção

Professor de música do CAP UFRJ foi alvo de racismo recreativo por alunos, resultando em suspensão e novas intimidações. A situação gerou protestos e denúncias à Polícia Federal.

Atualizado em
June 10, 2025
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Cartaz colocado pelo Erer no pátio do CAp UFRJ — Foto: Walter Farias

Um professor de música do Colégio de Aplicação da Universidade Federal do Rio de Janeiro (CAP UFRJ) foi alvo de racismo recreativo por parte de alunos, que fizeram piadas sobre seu cabelo. O incidente ocorreu no dia 2 de junho, quando os estudantes, ao serem advertidos, provocaram o docente com a música "Mina, seu cabelo é da hora", da banda Mamonas Assassinas. A situação culminou em uma denúncia à Polícia Federal, evidenciando a gravidade do racismo recreativo, que se manifesta em situações de lazer.

Após a denúncia, a diretora-geral da unidade, Cassandra Pontes, decidiu suspender os alunos por cinco dias. No entanto, os estudantes continuaram a intimidar a diretora e tentaram convencer o professor a retirar a queixa, resultando em novas denúncias. Cassandra relatou que, ao receber o documento de suspensão, os alunos reagiram com agressividade e tentaram intimidá-la, o que levou a uma ampliação da punição.

Durante a confusão, a diretora se sentiu ameaçada e acionou a patrulha escolar para garantir a segurança. Mesmo assim, o grupo de alunos não recuou e continuou a hostilizar o professor, interrompendo suas aulas e tentando convencê-lo a retirar a queixa. O professor, que possui vínculo temporário com a instituição, ficou preocupado com a situação e buscou apoio da direção.

No dia 6 de junho, os responsáveis pelos alunos foram convocados para discutir o ocorrido. A direção sugeriu a transferência dos estudantes para outra instituição, considerando o histórico de desrespeito e violência. No entanto, um dos responsáveis reagiu de forma agressiva, resultando em mais uma denúncia à Polícia Federal por desacato a servidores públicos.

O Comitê Permanente da Educação para as Relações Étnico-Raciais (ERER) do CAP UFRJ, que atua no combate ao racismo e na valorização da cultura negra, expressou sua indignação com o caso. Jorge Marçal, presidente do ERER, destacou que a instituição tem promovido atividades de conscientização, mas a falta de capacidade crítica dos alunos surpreendeu a comunidade escolar.

Esse incidente ressalta a importância de ações coletivas para combater o racismo e promover a diversidade nas escolas. A união da comunidade pode ser fundamental para apoiar iniciativas que visem a educação e a conscientização sobre questões raciais, garantindo um ambiente escolar mais respeitoso e inclusivo.

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