Educação

Quase um quinto dos jovens brasileiros de 15 a 29 anos não estuda nem trabalha e enfrenta analfabetismo funcional

Quase um quinto dos jovens brasileiros de 15 a 29 anos que não trabalham nem estudam é analfabeto funcional, revelam dados de 2024 do Inaf. A estagnação do analfabetismo funcional no Brasil, que atinge 29% da população de 15 a 64 anos, destaca a urgência de ações em educação e capacitação.

Atualizado em
August 12, 2025
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Um quinto dos jovens que não trabalham e nem estudam são analfabetos funcionais - Rubens Cavallari - 14.nov.2019/Folhapress

Dados recentes de 2024 revelam que quase um quinto dos jovens brasileiros com idades entre 15 e 29 anos que não trabalham nem estudam são analfabetos funcionais. Essa condição limita significativamente suas oportunidades de melhoria na qualidade de vida. O Indicador de Analfabetismo Funcional (Inaf), coordenado pela ONG Ação Educativa, aponta que 29% da população entre 15 e 64 anos se encontra nessa situação, sem avanços desde 2018.

O estudo classifica o analfabetismo funcional em dois níveis: absoluto, que inclui aqueles que não conseguem ler palavras ou números, e rudimentar, que abrange quem sabe ler e escrever, mas tem dificuldades em compreender textos ou realizar operações matemáticas básicas. A pesquisa destaca que, embora a maioria dos analfabetos funcionais seja composta por pessoas mais velhas, a proporção de jovens nessa condição é alarmante, atingindo 17% na faixa etária mencionada.

A coordenadora do Inaf, Ana Lúcia Lima, expressa preocupação com a exclusão desses jovens dos ambientes educacionais e de trabalho. Enquanto 45% dos jovens com alfabetismo consolidado estão empregados, apenas 17% dos analfabetos funcionais conseguem uma colocação no mercado. Além disso, 18% desse grupo não estuda nem trabalha, o que indica uma grave falta de perspectivas para o futuro.

Pesquisadores apontam que a estagnação do analfabetismo funcional reflete a baixa qualidade da educação no Brasil. Muitos indivíduos que passaram pela escola não adquiriram as habilidades necessárias para a alfabetização plena. Lima enfatiza a urgência de fortalecer a Educação de Jovens e Adultos (EJA) e promover iniciativas de capacitação por parte dos empregadores, dada a crescente demanda por mão de obra qualificada.

Os dados também revelam desigualdades de gênero e raça. Entre as mulheres jovens com analfabetismo funcional, 42% não estudam nem trabalham, em contraste com 17% dos homens. Além disso, a responsabilidade com o cuidado de filhos e familiares é uma barreira significativa para a inclusão produtiva das mulheres. Os jovens negros apresentam uma maior incidência de analfabetismo funcional, com 17%, em comparação a 13% entre os jovens brancos.

Diante desse cenário, é essencial que a sociedade civil se mobilize para apoiar iniciativas que promovam a alfabetização e a inclusão desses jovens. Projetos que visem a melhoria da educação e a capacitação profissional podem fazer a diferença na vida de muitos, oferecendo oportunidades e esperança para um futuro melhor.

Folha de São Paulo
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