Saúde e Ciência

Redução de 20% no consumo de álcool pode evitar 10.400 mortes e gerar economia de R$ 2,1 bilhões ao Brasil

Um relatório da Fiocruz revela que reduzir em 20% o consumo de álcool no Brasil poderia evitar 10.400 mortes anuais e economizar R$ 2,1 bilhões em produtividade. A pesquisa destaca a urgência de políticas tributárias para conter o consumo.

Atualizado em
August 19, 2025
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Pessoas brindam com copos de chope em bar em São Paulo - Jardiel Carvalho - 6.dez.24/Folhapress

Um novo relatório da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) revela que uma redução de 20% no consumo de álcool no Brasil poderia evitar anualmente 10.400 mortes, o que equivale a uma morte a cada hora. Além disso, essa diminuição poderia resultar em uma economia de R$ 2,1 bilhões em perdas de produtividade, destacando a urgência de políticas tributárias para conter o consumo.

O estudo, conduzido pelo pesquisador Eduardo Nilson, sugere que a economia gerada seria equivalente a 58% do orçamento do programa Farmácia Popular para 2024. As perdas econômicas relacionadas às mortes prematuras impactam a renda familiar e a economia nacional, especialmente entre pessoas em idade produtiva.

A pesquisa, que se baseia nas diretrizes da Organização Mundial de Saúde (OMS), estima que uma redução de 10% no consumo de álcool também poderia salvar 4.600 vidas e gerar uma economia de R$ 1 bilhão. O estudo, intitulado "Estimação do Impacto de Diferentes Cenários de Redução do Consumo de Álcool no Brasil", foi solicitado por organizações de saúde e utiliza uma metodologia de análise comparativa de risco.

O relatório considera 24 doenças associadas ao consumo de álcool, incluindo cirrose, tuberculose e diversos tipos de câncer. Os gastos diretos do Sistema Único de Saúde (SUS) com hospitalizações relacionadas ao álcool somam R$ 1,1 bilhão por ano, com os homens representando 74% dessas despesas.

Além dos problemas de saúde, o álcool está ligado a comportamentos violentos, como acidentes de trânsito e violência doméstica, especialmente entre homens jovens. O impacto econômico da mortalidade prematura é significativo, pois considera a expectativa de vida produtiva dos indivíduos, sendo mais grave para aqueles que falecem precocemente.

Para atingir as metas da OMS, a implementação de um imposto seletivo sobre o álcool é considerada uma estratégia eficaz. Essa medida, se bem aplicada, pode reduzir o consumo e deve ser discutida no Congresso. A sociedade civil pode desempenhar um papel importante em apoiar iniciativas que promovam a saúde e a conscientização sobre os riscos do consumo de álcool, ajudando a transformar essa realidade.

Folha de São Paulo
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