Saúde e Ciência

Sociedade Brasileira de Diabetes lança diretrizes para controle da hiperglicemia em pacientes hospitalares

Sociedade Brasileira de Diabetes atualiza diretrizes sobre hiperglicemia hospitalar, enfatizando rastreamento e tratamento com insulina e SGLT2. A medida visa reduzir complicações em pacientes internados.

Atualizado em
April 10, 2025
Clock Icon
4
min

A Sociedade Brasileira de Diabetes (SBD) divulgou, em fevereiro de 2024, novas diretrizes sobre o rastreamento e controle da hiperglicemia hospitalar em pacientes não críticos. A hiperglicemia é caracterizada por níveis de glicemia capilar ou plasmática superiores a 140 mg/dL e afeta entre 22% e 46% dos internados. O endocrinologista Emerson Cestari Marino, coordenador do Serviço de Controle de Glicemia Hospitalar do Hospital Nossa Senhora das Graças, enfatiza que a hiperglicemia está associada a quadros clínicos mais graves e que o tratamento adequado pode mitigar essa gravidade.

As diretrizes foram elaboradas por especialistas da SBD, que revisaram estudos clínicos e metanálises para desenvolver 23 recomendações baseadas em evidências. Essas orientações abrangem desde o rastreamento até intervenções iniciais e cuidados com complicações. O rastreamento é considerado essencial, e todo paciente internado deve realizar pelo menos um teste de glicemia. Aqueles com níveis acima de 140 mg/dL devem ser submetidos a um teste de hemoglobina glicada.

O grupo de risco para hiperglicemia hospitalar inclui pacientes em uso de glicocorticoides, no pós-transplante, no período pós-operatório, em nutrição enteral ou parenteral, entre outros. A SBD recomenda que a hiperglicemia não seja ignorada e que os pacientes necessitem de tratamento. Para aqueles com duas ou mais glicemias acima de 180 mg/dL em 24 horas, o tratamento deve incluir insulina basal programada e bolus pré-prandial.

Nos casos de hiperglicemia não persistente entre 180 e 200 mg/dL, a diretriz sugere o uso de inibidores de DPP4, enquanto pacientes com glicemia entre 140 e 179 mg/dL devem ter a dieta ajustada e evitar soluções com glicose. A SBD também recomenda a manutenção de inibidores de SGLT2 durante a internação, desde que haja monitoramento adequado da cetona, pois sua continuidade está associada à redução da mortalidade.

O especialista alerta para o risco de cetoacidose em pacientes que utilizam SGLT2, e a manutenção desse tratamento deve seguir critérios específicos, como a ausência de jejum ou infecção aguda. Além disso, é importante evitar a hipoglicemia, que pode ocorrer devido a doses excessivas de glicose administradas por via endovenosa, quando a via oral seria mais apropriada.

Essas novas diretrizes representam um avanço significativo no manejo da hiperglicemia hospitalar, destacando a importância do tratamento adequado. A mobilização da sociedade civil pode ser crucial para garantir que hospitais tenham os recursos necessários para implementar essas recomendações e melhorar a qualidade do atendimento aos pacientes. A união em torno dessa causa pode fazer a diferença na vida de muitos que enfrentam complicações relacionadas à hiperglicemia.

Medscape - Brasil
Quero ajudar

Leia mais

HIFU: nova tecnologia não invasiva reduz em até 70% os tremores de Parkinson imediatamente
Saúde e Ciência
Clock Icon
3
min
HIFU: nova tecnologia não invasiva reduz em até 70% os tremores de Parkinson imediatamente
News Card

O Brasil introduziu o HIFU, um tratamento não invasivo que reduz em até 70% os tremores de Parkinson imediatamente após a aplicação, representando um avanço significativo na terapia. O Hospital Israelita Albert Einstein, em São Paulo, é pioneiro na oferta dessa tecnologia, que já é utilizada em outros países. O procedimento, realizado com o paciente acordado e sem anestesia geral, utiliza ultrassom focado para destruir áreas do cérebro responsáveis pelos tremores. A seleção dos pacientes é criteriosa, considerando possíveis contraindicações.

Idosos a partir de 65 anos já podem se vacinar contra a Covid-19 no Rio de Janeiro
Saúde e Ciência
Clock Icon
3
min
Idosos a partir de 65 anos já podem se vacinar contra a Covid-19 no Rio de Janeiro
News Card

Idosos a partir de 65 anos podem se vacinar contra a Covid-19 com a nova dose JN.1 no Rio de Janeiro, a partir de 1º de novembro. A imunização para maiores de 60 anos inicia em 11 de novembro. Além disso, vacinas contra influenza, febre amarela e sarampo também estão disponíveis.

Aumento de escorpionismo no Brasil gera alerta de 'epidemia silenciosa' entre cientistas e autoridades de saúde
Saúde e Ciência
Clock Icon
4
min
Aumento de escorpionismo no Brasil gera alerta de 'epidemia silenciosa' entre cientistas e autoridades de saúde
News Card

Cientistas alertam para uma "epidemia silenciosa" de escorpionismo no Brasil, com aumento de mais de 150% em casos na última década, exigindo campanhas de conscientização e ampliação da produção de soro antiveneno.

Projeto inova na saúde com compartilhamento de informações e agilidade nos atendimentos aos pacientes
Saúde e Ciência
Clock Icon
3
min
Projeto inova na saúde com compartilhamento de informações e agilidade nos atendimentos aos pacientes
News Card

Um novo projeto de compartilhamento de dados de saúde entre hospitais e laboratórios, inspirado no open finance, promete otimizar atendimentos e reduzir custos em seis meses. A iniciativa, liderada pelo Inova HC, inclui instituições renomadas e visa integrar informações do SUS, facilitando o acesso e a prevenção de epidemias. Contudo, a privacidade dos dados deve ser rigorosamente protegida para evitar discriminações.

Nemolizumabe mostra eficácia no alívio do prurido em diversas condições clínicas além das aprovadas pela FDA
Saúde e Ciência
Clock Icon
3
min
Nemolizumabe mostra eficácia no alívio do prurido em diversas condições clínicas além das aprovadas pela FDA
News Card

Nemolizumabe, aprovado pela FDA em 2024, mostra eficácia no alívio do prurido em diversas condições além da dermatite atópica e prurigo nodular, com pacientes relatando melhora significativa após anos de tratamento sem sucesso. A Dra. Jenny Murase destaca a importância de avaliar causas subjacentes antes da prescrição, já que muitos pacientes têm doenças que podem ser diagnosticadas.

"Taxa de recusa familiar em doação de órgãos no DF atinge recorde e impacta transplantes em 2024"
Saúde e Ciência
Clock Icon
4
min
"Taxa de recusa familiar em doação de órgãos no DF atinge recorde e impacta transplantes em 2024"
News Card

O Distrito Federal enfrenta uma grave crise na doação de órgãos, com a taxa de recusa familiar alcançando 61% em 2024, resultando em apenas 45 doações e um aumento de 20% na fila de espera para transplantes. A Secretaria de Saúde busca reverter essa situação com campanhas de conscientização.