Impacto Social

Solidão causa 871 mil mortes anuais e se torna uma ameaça à saúde global, alerta OMS

Relatório da Organização Mundial da Saúde (OMS) revela que a solidão causou cerca de 871 mil mortes anuais entre 2014 e 2019, afetando especialmente os jovens e gerando ações governamentais em diversos países.

Atualizado em
July 10, 2025
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Prevalência da solidão é maior entre adolescentes e jovens adultos, aponta OMS Foto: kieferpix/Adobe Stock

Novas estimativas da Organização Mundial da Saúde (OMS) revelam que a solidão causou aproximadamente 871 mil mortes anuais entre 2014 e 2019. Isso equivale a cerca de 100 mortes por hora em todo o mundo, um dado alarmante que destaca a gravidade da falta de conexão social. O relatório, publicado no final de junho, enfatiza a necessidade urgente de abordar a solidão como uma questão de saúde pública, com especialistas alertando que ela afeta uma em cada seis pessoas globalmente.

Embora a solidão seja um fenômeno disseminado, ela impacta desproporcionalmente os jovens. Dados indicam que adolescentes entre treze e dezessete anos apresentam a maior prevalência, com 20,9%. O relatório também aponta que experiências de desconexão na infância são preditores significativos de problemas de solidão na vida adulta, o que acende um alerta sobre a saúde mental das gerações mais novas.

A pandemia de covid-19 intensificou a discussão sobre solidão e isolamento social, levando a ações governamentais em diversos países. O Japão, por exemplo, criou um “Ministério da Solidão”, enquanto o Reino Unido designou uma secretaria para lidar com o problema. Nos Estados Unidos, um relatório de 2023 intitulado “Nossa epidemia de solidão e isolamento” destaca a crescente preocupação com o tema.

O impacto da solidão na saúde física e mental é significativo. Estudos mostram que a solidão está associada a um aumento de 29% no risco de doenças cardíacas e 32% no risco de acidente vascular cerebral. Além disso, adultos que frequentemente se sentem sozinhos têm mais do que o dobro do risco de desenvolver depressão. Apesar da evidência, a relação entre solidão e saúde ainda gera debates sobre causalidade.

Os especialistas identificaram três mecanismos interconectados que explicam o impacto da solidão na saúde. A prevalência da solidão, independentemente de gênero e faixa etária, foi estimada em 15,8% entre 2014 e 2023. Embora haja dados limitados sobre isolamento social, as melhores estimativas indicam que entre 25% e 33,6% dos idosos enfrentaram esse problema entre 1990 e 2022.

Apesar do reconhecimento crescente da solidão como uma questão de saúde pública, apenas 4,1% dos Estados-membros da OMS possuem planos para abordá-la. É fundamental que líderes e a sociedade civil reconheçam a conexão social como uma prioridade. Nessa situação, nossa união pode ajudar a fortalecer as conexões sociais e apoiar aqueles que enfrentam a solidão, promovendo um futuro mais saudável e inclusivo.

Estadão
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