Impacto Social

Solidão é comparada a fumar 15 cigarros por dia e afeta saúde do cérebro, alerta especialista

A solidão é comparada ao efeito de fumar 15 cigarros diários, segundo o professor Leandro Freitas, que alerta sobre seus impactos na saúde cerebral e o aumento do risco de demência. Ele critica a eficácia das redes sociais em combater a solidão, enfatizando que a interação física é insubstituível.

Atualizado em
July 17, 2025
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Leandro Freitas, doutor em Neurologia e Neurociências e professor da Universidade Católica de Brasília (UCB), fala sobre solidão ao CB.Poder - (crédito: Marcelo Ferreira/CB/D.A Press)

A solidão e seus impactos na saúde foram discutidos no programa CB.Saúde, transmitido em parceria entre o Correio Braziliense e a TV Brasília. O professor Leandro Freitas, da Universidade Católica de Brasília, abordou um relatório da Organização Mundial da Saúde (OMS) que compara os efeitos da solidão aos danos causados por fumar quinze cigarros diariamente. Freitas enfatizou que a falta de interações sociais prejudica a saúde do cérebro e aumenta o risco de demência.

Durante a conversa, Freitas explicou que o cérebro humano depende de estímulos provenientes de interações sociais. Ele afirmou que, ao se isolar, uma pessoa deixa de receber estímulos essenciais, como visuais e auditivos, que são fundamentais para a saúde do sistema nervoso. "Se eu não estou utilizando essas células, elas entram em um processo de morte programada", destacou o professor, alertando sobre o aumento do risco de doenças neurodegenerativas.

O especialista também mencionou que a separação entre o cognitivo e o fisiológico é um erro, pois o psicológico é uma construção biológica. Ele ressaltou que, historicamente, a sobrevivência humana sempre esteve ligada à interação social. "Até dois séculos atrás, não existiam relatos das condições neurológicas que enfrentamos hoje", afirmou Freitas, que se preocupa com a nova forma de viver, marcada pela hiperconexão e tecnologia.

Freitas criticou a eficácia das redes sociais em combater a solidão, afirmando que estudos demonstram que mesmo videochamadas não substituem a presença física. "Essa sensação de companhia é mascarada", disse ele, ressaltando que a romantização das redes sociais deve ser questionada. O professor alertou que, apesar de ter milhares de seguidores, uma pessoa ainda pode se sentir sozinha.

A OMS já declarou a solidão como uma "epidemia" que representa uma ameaça à saúde pública. Um estudo recente revelou que dois em cada três pais e mães se sentem solitários, e o uso constante de redes sociais contribuiu para essa situação. A discussão sobre os efeitos da solidão é urgente e deve ser abordada com seriedade pela sociedade.

Nessa situação, nossa união pode ajudar os menos favorecidos. Projetos que visam promover interações sociais e apoio emocional são essenciais para combater a solidão e suas consequências. A mobilização da sociedade civil pode fazer a diferença na vida de muitas pessoas que enfrentam essa realidade.

Correio Braziliense
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