Impacto Social

Tarifa de 50% nos EUA pode transformar açaí do Pará em artigo de luxo e ameaçar 300 mil empregos

Donald Trump impôs uma tarifa de 50% sobre o açaí brasileiro, tornando o fruto um artigo de luxo nos EUA e ameaçando 300 mil empregos no Pará, maior produtor e exportador do Brasil. A medida pode agravar desigualdades sociais e comprometer a sustentabilidade econômica das comunidades amazônicas.

Atualizado em
July 31, 2025
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Foto açaí II — Foto: Tarso Sarraf

O estado do Pará, responsável por aproximadamente 90% da produção nacional de açaí, enfrenta um novo desafio com a recente imposição de uma tarifa de 50% sobre produtos brasileiros, incluindo o açaí, anunciada por Donald Trump. Essa medida pode transformar o açaí em um artigo de luxo nos Estados Unidos, impactando diretamente cerca de 300 mil trabalhadores que dependem da cadeia produtiva do fruto no estado.

Os Estados Unidos são o principal mercado consumidor do açaí paraense, absorvendo cerca de 40% da produção local. A nova tarifa, que entra em vigor no dia 6 de agosto, foi oficializada por meio de um decreto assinado por Trump. Embora quase 700 itens tenham sido isentos da cobrança extra, o açaí não está entre eles, o que gera preocupações sobre a viabilidade econômica do setor.

Especialistas alertam que a elevação da taxação pode encarecer os produtos brasileiros no mercado norte-americano, reduzindo o volume de exportações e afetando toda a cadeia do açaí. O supervisor técnico do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese) no Pará, Everson, destaca que a possível queda nas exportações pode aprofundar desigualdades sociais e comprometer a sustentabilidade econômica de comunidades tradicionais que atuam na extração e comercialização do fruto.

Denise Acosta, presidente do Sindicato das Indústrias de Frutas e Derivados do Estado do Pará (Sindfrutas), enfatiza que a decisão dos Estados Unidos representa uma ameaça concreta à indústria do açaí. O estado abriga um parque industrial especializado na transformação e exportação do produto, e a imposição de tributos elevados pode comprometer toda a estrutura produtiva, desde a colheita até a industrialização.

Nélio Bordalo Filho, economista e membro do Conselho Regional de Economia dos Estados do Pará e Amapá (CORECON PA/AP), reforça que a tarifa de 50% impactará diretamente o mercado paraense. A cadeia produtiva do açaí depende fortemente do mercado externo, especialmente dos Estados Unidos, e uma redução nas exportações afetaria não apenas as agroindústrias, mas também os produtores ribeirinhos e cooperativas envolvidas na comercialização do fruto.

Para mitigar os efeitos da tarifa, especialistas sugerem diversificar os mercados compradores e fortalecer a produção de derivados mais sofisticados do açaí. A articulação do governo brasileiro com autoridades norte-americanas também pode ser uma alternativa para buscar flexibilizações na tarifa, especialmente para produtos sustentáveis. Nessa situação, nossa união pode ajudar os menos favorecidos, promovendo iniciativas que apoiem os trabalhadores e a sustentabilidade da cadeia produtiva do açaí.

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