Educação

Unicamp adota cotas para pessoas trans, travestis e não binárias em resposta à exclusão no ensino superior

Unicamp implementa cotas para transexuais, travestis e não binários, visando inclusão. O reitor Antonio José de Almeida Meirelles defende a medida, ressaltando a importância de oportunidades e conhecimento sobre temas LGBTQIA+. Apesar das críticas e resistência política, a universidade busca reduzir desigualdades e gerar sensibilidade no ambiente acadêmico.

Atualizado em
April 22, 2025
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Antonio José de Almeida Meirelles, reitor da Unicamp (Universidade Estadual de Campinas) - Antonio Scarpinetti/Unicamp

A Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) anunciou a implementação de políticas de cotas para transexuais, travestis e pessoas não binárias, com o objetivo de promover a inclusão no ensino superior. O reitor Antonio José de Almeida Meirelles defendeu essa iniciativa em resposta a críticas, ressaltando a importância de criar oportunidades e gerar conhecimento sobre questões LGBTQIA+ em um contexto de exclusão histórica dessa população.

Meirelles afirmou: “Prefiro o incômodo que essas posições causam do que evitar a polêmica por não propor mudanças”. Ele destacou que a universidade pública deve ser abrangente e acolher as diferenças, não servindo apenas aos interesses de um grupo específico da sociedade. A Unicamp, que anunciou as cotas em 1° de abril, não é a primeira instituição paulista a adotar essa política, mas é a única entre as estaduais.

A expectativa é que sejam criadas 120 vagas adicionais para pessoas trans, travestis e não binárias, exclusivamente no sistema Enem-Unicamp. A universidade justifica essa ação afirmativa pela exclusão enfrentada por essa população no Brasil, que é marcada por altos índices de violência e uma expectativa de vida média de apenas 35 anos. “O espaço da disputa para a entrada no ensino superior não é neutro”, afirmou Meirelles, enfatizando a necessidade de reconhecer as desigualdades existentes.

O reitor também esclareceu que a reserva de vagas não implica que os estudantes sejam admitidos apenas por sua identidade de gênero, mas sim por seu desempenho nos processos de seleção. Ele acredita que essa política pode ajudar a reduzir as desigualdades e proporcionar oportunidades a um maior número de pessoas. “Mudar a população da universidade gera uma sensibilidade diferente”, afirmou Meirelles.

A proposta de cotas gerou reações negativas no meio político, com deputados e vereadores de São Paulo buscando barrar a iniciativa. A Promotoria solicitou que a Unicamp apresente estudos que justifiquem a necessidade da ação afirmativa. Meirelles acredita que os ataques são motivados por questões ideológicas e que, com o tempo, os ânimos se acalmarão, assim como ocorreu com a política de cotas raciais.

Ele concluiu que, para enfrentar desigualdades, é essencial criar condições, como a oferta de vagas. A implementação dessas cotas pode inspirar a sociedade a apoiar iniciativas que promovam a inclusão e a diversidade. Nossa união pode fazer a diferença na vida de muitos que buscam oportunidades no ensino superior.

Folha de São Paulo
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