Meio Ambiente

A pesquisa revela impactos alarmantes das queimadas na biodiversidade da Amazônia e suas interações ecológicas

Estudo inédito revela que interações de frugivoria na Amazônia permanecem simplificadas após 20 anos de queimadas, resultando em perda de espécies e empobrecimento funcional das florestas. A pesquisa, liderada pela bióloga Liana Chesini Rossi, destaca a importância das relações ecológicas para a regeneração do bioma.

Atualizado em
June 17, 2025
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CAPAFLORESTA

A Amazônia continua a enfrentar sérios desafios devido ao desmatamento e queimadas, que impactam diretamente a biodiversidade e as interações ecológicas. Um estudo recente, conduzido pela bióloga Liana Chesini Rossi, revela que, mesmo após 20 anos de queimadas, as interações de frugivoria na região permanecem simplificadas, com uma significativa perda de espécies e interações. Este empobrecimento funcional das florestas é alarmante, pois essas interações são essenciais para a regeneração e manutenção do bioma.

O estudo, publicado na revista Oikos, é pioneiro ao avaliar os efeitos de longo prazo das queimadas sobre as interações ecológicas na Amazônia. Rossi, atualmente pós-doutoranda no Jardim Botânico do Rio de Janeiro, destaca que a pesquisa envolveu mais de 1.500 horas de observações e 30 mil horas de monitoramento por armadilhas fotográficas. Os resultados mostram uma redução média de 16% nas espécies de frugívoros e um declínio de 66% no número de interações de frugivoria nas áreas impactadas.

As florestas intactas apresentaram um número significativamente maior de espécies e interações em comparação com aquelas que foram exploradas ou queimadas. O estudo identificou 4.670 interações de frugivoria, envolvendo 991 associações únicas entre 165 espécies de plantas e 174 espécies frugívoras. A maioria das interações ocorreu em ambientes arbóreos, com aves desempenhando um papel crucial na dispersão de sementes.

Além de empobrecer a biodiversidade, a ausência de frugívoros compromete a estrutura e a continuidade das populações vegetais a longo prazo. Rossi observa que, embora o número total de interações possa parecer semelhante, a identidade das espécies envolvidas e o modo como interagem estão mudando, o que pode ter consequências significativas para o funcionamento ecológico das florestas.

O estudo também sugere que as florestas podem estar se tornando mais sensíveis a novos distúrbios, reforçando a preocupação com o conceito de ponto de não retorno. Se o desmatamento e a degradação atingirem certos patamares, a Amazônia pode perder a capacidade de se sustentar, afetando não apenas a biodiversidade local, mas também o clima global.

Com a previsão de que a estação seca na Amazônia pode se prolongar, a situação se torna ainda mais crítica. A combinação de desmatamento e mudanças climáticas pode levar a um ciclo de autodestruição da floresta. Em meio a esse cenário, é fundamental que a sociedade civil se mobilize para apoiar iniciativas que visem a preservação e recuperação da Amazônia, garantindo um futuro mais sustentável para este bioma vital.

Jornal da UNESP
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