Saúde e Ciência

A vacinação infantil enfrenta estagnação global, com Brasil entre os países com mais crianças sem imunização

Desde 2015, o Brasil enfrenta uma queda na vacinação infantil, com 18 milhões de crianças sem imunização, agravada pela pandemia de Covid-19. A desinformação e desigualdades sociais são fatores críticos.

Atualizado em
June 25, 2025
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Crianças é vacinada em São Paulo - Bruno Santos - 17.jan.22/Folhapress

Desde 2015, o número de crianças que nunca receberam vacinas aumentou significativamente, totalizando cerca de dezoito milhões em todo o mundo. O Brasil está entre os países mais afetados, ao lado de nações como Congo, Etiópia, Índia, Indonésia, Nigéria, Somália e Sudão. Em 1980, aproximadamente sessenta milhões de crianças não tinham recebido nenhuma dose de vacina, mas esse número caiu para quinze milhões em 2019. Desde então, a cobertura vacinal estagnou, com a pandemia de Covid-19 exacerbando a situação.

Um estudo recente, publicado na revista científica The Lancet, revela que a vacinação infantil global está estagnada desde 2010. Essa estagnação afeta tanto países de baixa quanto de alta renda, com taxas de vacinação contra doenças como difteria, sarampo e poliomielite caindo em vinte e um dos trinta e seis países mais desenvolvidos. Os dados foram obtidos através do Estudo sobre a Carga Global de Doenças, Lesões e Fatores de Risco, realizado em 2023.

Os pesquisadores alertam que, se a tendência atual continuar, as metas globais de imunização estabelecidas pela Organização Mundial da Saúde (OMS) em 2019 não serão alcançadas. A OMS espera que, até 2030, o número de crianças sem vacinas seja reduzido pela metade e que a proteção universal contra doenças como coqueluche e sarampo seja garantida.

No Brasil, a situação é preocupante. Apesar de ter um plano de vacinação robusto, a cobertura vacinal infantil tem apresentado queda contínua desde 2015. O Anuário VacinaBR 2025, elaborado pelo Instituto Questão de Ciência (IQC) com apoio da Sociedade Brasileira de Imunizações (SBIm) e do Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef), aponta que oito em cada dez brasileiros vivem em cidades com vacinação insuficiente.

A professora e pesquisadora Carolina Lins destaca que a aceitação das vacinas no Brasil é historicamente alta, mas fatores como desinformação e desigualdade social têm contribuído para a queda na adesão. Além disso, a dificuldade de acesso à vacinação é mais acentuada entre mães negras e pardas, que enfrentam barreiras como distância dos postos de saúde e falta de transporte.

A neurologista pediátrica Joyce Carvalho Martins enfatiza a segurança dos imunizantes disponíveis no Brasil e a importância da vacinação para salvar vidas. Em um momento em que a cobertura vacinal está em risco, é fundamental que a sociedade se una para apoiar iniciativas que garantam a imunização das crianças. A mobilização da comunidade pode ser decisiva para reverter essa situação e garantir um futuro mais saudável para todos.

Folha de São Paulo
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