Meio Ambiente

Abrolhos enfrenta desafios críticos na proteção de seus habitats marinhos e biodiversidade ameaçada

Estudo revela que 96% dos bancos de rodolitos em Abrolhos estão desprotegidos, ameaçando a biodiversidade marinha. O Brasil precisa avançar na proteção de áreas marinhas, com apenas 26% de seu território protegido.

Atualizado em
June 30, 2025
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SANTUÁRIO EM RISCO - Conhecido berçário das baleias jubartes, Abrolhos tem habitats fundamentais para o crescimento da biodiversidade, mas vulneráveis (Nico Ferri/Divulgação)

Abrolhos, localizado no sul da Bahia, é um parque nacional marinho criado em mil novecentos e oitenta e dois, reconhecido como berçário de baleias jubarte e abrigo de diversas espécies marinhas. No entanto, um estudo recente revelou que noventa e seis por cento dos bancos de rodolitos, essenciais para a biodiversidade, estão fora da proteção do parque. Além disso, oitenta e cinco por cento das espécies marinhas globalmente têm menos de dez por cento de suas áreas protegidas.

O arquipélago enfrenta desafios significativos, como a perda da área de amortecimento em dois mil e vinte e dois, que é uma faixa ao redor das unidades de conservação destinada a reduzir o impacto da poluição. O aquecimento global e a acidificação dos oceanos também são preocupações crescentes. O estudo publicado na revista Ocean and Coastal Research, da Universidade de São Paulo (USP), destacou que quatro habitats marinhos vitais, incluindo os bancos de rodolitos, estão totalmente desprotegidos.

Os bancos de rodolitos, formados por estruturas esféricas e irregulares no fundo do mar, são conhecidos como rochas vivas devido à sua importância na manutenção da biodiversidade marinha. Eles conectam recifes costeiros rasos a mesofóticos, que são formados por esponjas, corais e algas. Abrolhos abriga diversas espécies recifais, como peixes-cirurgião, garoupas e budiões. Segundo Guilherme Fraga Dutra, um dos autores do levantamento, noventa e seis por cento das rochas vivas estão fora da área do parque, o que impacta negativamente a vida marinha do arquipélago.

Outro ambiente vulnerável são as buracas, depressões em forma de taça que variam entre vinte e cinco e sessenta e cinco metros de profundidade. Essas formações, exclusivas do arquipélago, não possuem proteção ambiental. Globalmente, apenas vinte e seis por cento do território marinho brasileiro está em áreas protegidas, enquanto a meta trinta por trinta visa proteger trinta por cento do território marinho até o final dos próximos cinco anos.

Dutra enfatiza a necessidade de o Brasil avançar na proteção de suas áreas marinhas. O estudo busca medir o quanto o país está distante dessa representatividade, especialmente na região de Abrolhos. A falta de proteção adequada para habitats marinhos críticos pode comprometer a biodiversidade e a saúde dos ecossistemas marinhos.

Em situações como essa, a união da sociedade civil pode ser fundamental para promover a proteção ambiental. Projetos que visam a conservação e recuperação de habitats marinhos devem ser incentivados, pois podem fazer a diferença na preservação da biodiversidade e na saúde dos oceanos.

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