Meio Ambiente

Governo Lula enfrenta desafios para licenciamento ambiental de exploração de petróleo na Foz do Amazonas

Governo Lula pressiona Ibama para liberar licença da Petrobras para perfuração no bloco 59 da Foz do Amazonas, enquanto a falta de avaliação ambiental pode comprometer leilão de novos blocos em junho.

Atualizado em
April 26, 2025
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Parque Nacional do Cabo Orange, unidade de conservação na costa da região da Foz do Amazonas, no Amapá - Victor Moriyama/Greenpeace

A Bacia Foz do Amazonas é uma região de alta sensibilidade ambiental, e o processo de licenciamento para exploração de petróleo nesta área é complexo, exigindo articulação com o Itamaraty devido à sua proximidade com a Guiana Francesa. Um parecer técnico de 2020, elaborado durante o governo Jair Bolsonaro, destaca que a situação é inédita para o licenciamento federal, o que pode impactar o leilão de novos blocos de petróleo programado para junho deste ano, de grande interesse para o governo de Luiz Inácio Lula da Silva.

Recentemente, o governo Lula tem pressionado o Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) para liberar a licença ambiental da Petrobras para a perfuração no bloco 59, leiloado em 2013. A demora na concessão da licença tem gerado críticas, especialmente considerando que a falta de uma avaliação ambiental de área sedimentar pode inviabilizar o leilão de novos blocos.

Três integrantes da atual gestão afirmam que não encontraram registros de articulação entre o Itamaraty e os ministérios de Meio Ambiente ou de Minas e Energia nos últimos cinco anos, conforme recomendado pelo parecer do Ibama e da Agência Nacional de Petróleo e Gás (ANP). O Ministério de Minas e Energia indicou que a reportagem deveria consultar o Ibama e o Itamaraty, enquanto a ANP afirmou que as discussões sobre questões transfronteiriças são conduzidas em nível ministerial.

A pressão para que o Ibama emita a licença ambiental para a Petrobras aumentou desde o governo Bolsonaro. Lula, que assumiu seu terceiro mandato em 2023, tem se mostrado favorável à liberação, apesar das preocupações da ala ambiental liderada pela ministra Marina Silva. A Petrobras precisa da licença até abril de 2025 para perfurar o bloco 59, e a falta dessa autorização pode afastar concorrentes do leilão de junho, comprometendo os planos do governo de aumentar a produção de petróleo no Brasil.

O Ibama já negou a licença uma vez em 2023, citando preocupações com a resposta a vazamentos e a proteção da fauna e flora locais, além das comunidades indígenas e ribeirinhas. Apesar de melhorias na estrutura da Petrobras na região, a possibilidade de nova negativa ainda existe. A ausência de uma avaliação ambiental de área sedimentar é um dos principais argumentos do Ibama para a não concessão da licença.

O leilão de junho incluirá 47 blocos na Foz do Amazonas, e a falta de articulação com outros países pode atrasar o processo de licenciamento. A região abriga unidades de conservação e ecossistemas sensíveis, o que torna a exploração de petróleo uma questão delicada. Em situações como essa, a união da sociedade civil pode ser fundamental para apoiar iniciativas que visem a proteção ambiental e o desenvolvimento sustentável.

Folha de São Paulo
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