Meio Ambiente

Amazônia se prepara para a COP-30 com propostas inovadoras para aquicultura sustentável e preservação ambiental

A COP-30, que ocorrerá em Belém, destaca a aquicultura como alternativa sustentável para a Amazônia, visando recuperar áreas degradadas e reduzir emissões de carbono. Pesquisadores de diversas instituições, incluindo a Cornell University, enfatizam a necessidade de políticas públicas para regulamentar a prática e proteger a biodiversidade local.

Atualizado em
June 19, 2025
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Em novembro de 2025, a Amazônia será palco da Conferência das Nações Unidas para as Mudanças Climáticas, a COP-30, que ocorrerá em Belém. O evento reunirá autoridades, ativistas e cientistas de quase duzentos países, destacando a importância da floresta amazônica no debate global sobre mudanças climáticas. Pesquisadores brasileiros já apresentam estudos que exploram a aquicultura como uma alternativa sustentável para a produção de alimentos, visando a recuperação de áreas degradadas e a redução das emissões de carbono.

Um estudo recente, publicado na revista Nature Sustainability, envolve a colaboração de 29 pesquisadores de 12 instituições, incluindo universidades brasileiras e internacionais. O foco da pesquisa é o potencial da aquicultura para fornecer proteínas de forma mais sustentável do que a pecuária, que é uma das principais causas do desmatamento na Amazônia. O pesquisador Felipe S. Pacheco, da Cornell University, destaca que a aquicultura pode ajudar a mitigar os efeitos do aquecimento global e promover a preservação da floresta.

A aquicultura já superou a pesca extrativa como a principal fonte de alimentos aquáticos no mundo. Na Amazônia, onde a desnutrição e o subdesenvolvimento são problemas persistentes, a expansão desse setor pode oferecer oportunidades econômicas. Os autores do estudo ressaltam que a pecuária é responsável por altas emissões de carbono e desmatamento em larga escala, enquanto a aquicultura apresenta emissões significativamente menores.

O crescimento da aquicultura na Amazônia é visível em estados como Roraima e Tocantins, onde a produção de gado tem diminuído. Wagner C. Valenti, professor da Unesp, defende a utilização de pastagens degradadas para a criação de peixes, afirmando que essa prática pode gerar a mesma quantidade de proteína animal que a pecuária, utilizando apenas uma fração da área. Essa abordagem poderia permitir a regeneração de vastas áreas da floresta amazônica.

Entretanto, a expansão da aquicultura também traz riscos, como a fragmentação dos rios e a introdução de espécies exóticas, que podem ameaçar a biodiversidade local. O estudo alerta para a necessidade de marcos regulatórios robustos que incentivem práticas sustentáveis e protejam os ecossistemas aquáticos. A regulamentação deve incluir a proibição de espécies invasoras e a definição de áreas apropriadas para a aquicultura.

Os pesquisadores enfatizam que a aquicultura pode ser uma solução viável para a produção de alimentos na Amazônia, mas requer políticas públicas que apoiem essa transição. Incentivos para produtores que migrem da pecuária para a aquicultura podem ser fundamentais. A união da sociedade civil pode ser crucial para promover iniciativas que visem a recuperação ambiental e a segurança alimentar na região, beneficiando tanto a população local quanto o meio ambiente.

Jornal da UNESP
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