Saúde e Ciência

Anestesiologista enfrenta osteonecrose e reflete sobre a dor que silenciou sua paixão pela música

Anestesiologista e baterista, Robert Ribeiro Neto, enfrenta osteonecrose no quadril, resultando em cirurgia e desafios na recuperação. Ele busca adiar nova operação no outro quadril, que também apresenta problemas.

Atualizado em
August 18, 2025
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O baterista e anestesista Robert Ribeiro Neto durante viagem ao deserto do Atacama, no Chile, no ano passado, antes de passar por cirurgia - Robert Ribeiro Neto/Arquivo Pessoal

Robert Ribeiro Neto, anestesista e baterista, começou a sentir dores no quadril há mais de cinco anos, inicialmente acreditando que eram problemas musculares. Em agosto de 2023, durante um treino, ele sentiu uma instabilidade no quadril direito, que se intensificou com o tempo, levando-o a mancar e a buscar tratamento. Após infiltrações e uma viagem ao deserto do Atacama, onde enfrentou dores intensas, ele foi diagnosticado com osteonecrose da cabeça do fêmur, uma condição grave que requer cirurgia.

O diagnóstico trouxe um impacto emocional significativo para Robert, que compreendeu que a única solução seria a colocação de uma prótese. Ele já havia cancelado apresentações e se afastado da bateria, sua válvula de escape. A cirurgia ocorreu em março de 2024, e, embora tenha sido bem-sucedida, Robert enfrentou um longo processo de recuperação, incluindo fisioterapia.

Após a cirurgia, exames revelaram que o quadril esquerdo também apresentava necrose, embora sem fratura. Essa descoberta foi um novo desafio, pois Robert sabe que, eventualmente, precisará de outra prótese. Ele busca adiar essa necessidade o máximo possível, ciente de que próteses podem durar décadas, mas que pacientes jovens podem precisar trocá-las mais de uma vez ao longo da vida.

A osteonecrose é a morte do tecido ósseo devido à falta de irrigação sanguínea e pode ser causada por traumas ou fatores não traumáticos, como uso prolongado de corticoides e consumo excessivo de álcool. Um estudo recente mostrou um aumento na incidência de osteonecrose durante a pandemia, especialmente entre pacientes que tiveram Covid-19, sugerindo uma possível relação entre a infecção e a condição.

O ortopedista Bruno Rudelli, que assistiu Robert, destaca que a dor inicial da osteonecrose é muitas vezes confundida com problemas musculares, levando os pacientes a atrasar o diagnóstico. Quando identificado precocemente, existem opções para preservar a articulação original, como adaptações nas atividades e uso de muletas.

Robert reflete sobre a frustração de não ter controle sobre sua condição e valoriza cada movimento sem dor. A prevenção da osteonecrose pode ser desafiadora, mas é possível reduzir riscos evitando corticoides sem prescrição médica e controlando fatores como colesterol e triglicérides. A união da sociedade pode ser fundamental para apoiar aqueles que enfrentam desafios semelhantes, promovendo iniciativas que ajudem na recuperação e no bem-estar de pessoas afetadas por condições como a de Robert.

Folha de São Paulo
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