Cultura

Botequins do Rio de Janeiro se tornam centros culturais e de troca de saberes na cidade maravilhosa

Botequins do Rio de Janeiro se transformam em centros culturais, promovendo eventos como aulas de Luiz Antonio Simas e lançamentos de livros de Alberto Mussa, fortalecendo a conexão entre arte e espaço público.

Atualizado em
May 18, 2025
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C.I.N.Z.A. Diante do Chanchada, em Botafogo, banca de jornal, incorporada ao bar, vende jornais, discos e livros — Foto: Guito Moreto/Agência O Globo

Os botequins do Rio de Janeiro são mais do que simples bares; eles são centros culturais que promovem a interação social e a troca de conhecimentos. Recentemente, iniciativas como as aulas de Luiz Antonio Simas e os lançamentos de livros de Alberto Mussa têm reforçado essa conexão entre cultura e espaço público, trazendo arte e aprendizado para as ruas da cidade.

Luiz Antonio Simas, professor e historiador, compara os botequins cariocas a uma ágora da Grécia antiga, onde cidadãos se reuniam para debater e compartilhar ideias. Nos botequins, mesas e balcões se tornam palcos para histórias e vivências do cotidiano. Em setembro, Simas ministrou uma aula no bar Madrid, na Tijuca, abordando temas como a luta de Getúlio Vargas contra figuras populares, enquanto os participantes desfrutavam de cerveja e petiscos.

Simas destaca a importância de levar o saber para as ruas, afirmando que a cultura deve circular além dos muros da academia. Ele considera o botequim um espaço de manutenção e circulação do conhecimento, semelhante a bibliotecas e boticas. Após suas aulas, Simas realiza sessões de autógrafos, aproximando-se ainda mais do público.

Alberto Mussa também adota essa abordagem, realizando lançamentos de livros em ambientes informais. No ano passado, ele lançou seu romance “A extraordinária Zona Norte” em um bar, acompanhado de uma roda de samba. Mussa acredita que o ambiente descontraído do bar facilita a interação com novos leitores, tornando a experiência mais acessível e envolvente.

Outros estabelecimentos, como o Braseiro Labuta e o Birosca, também incorporam arte em suas propostas. O Braseiro Labuta exibe obras de artistas contemporâneos, enquanto o Birosca oferece um espaço cultural diversificado, promovendo exposições de fotografias e esculturas. O Chanchada, por sua vez, criou uma banca para vender produtos culturais, atraindo um público variado e estimulando a cena artística local.

Essas iniciativas mostram como os botequins podem ser espaços de resistência cultural e social. A união da comunidade em torno de projetos que valorizam a cultura local é essencial. Apoiar essas iniciativas pode fortalecer ainda mais a cena cultural carioca, promovendo um ambiente onde arte e conhecimento se entrelaçam e florescem.

Globo.com
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