Saúde e Ciência

Brasil é o 17º no ranking de crianças não vacinadas, com desafios persistentes na imunização infantil

O Brasil é o 17º país com mais crianças não vacinadas, com 229 mil sem a vacina DTP em 2024, apesar de melhorias na cobertura vacinal. A desinformação e o abandono de doses são desafios persistentes.

Atualizado em
July 16, 2025
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Ações de estímulo à vacinação infantil em municípios da Paraíba; desinformação e falhas na busca ativa contribuem para baixa cobertura no Brasil - 27.dez.22 - Divulgação/Secretaria de Estado da Saúde

O Brasil foi novamente incluído na lista das 20 nações com o maior número absoluto de crianças não vacinadas, conforme relatório do Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef) e da Organização Mundial da Saúde (OMS). O país ocupa a 17ª posição, com 229 mil crianças sem nenhuma dose da vacina tríplice bacteriana (DTP) em 2024, apesar de um aumento na cobertura vacinal, que subiu de 84% em 2023 para 90% em 2024.

Os especialistas apontam que a presença do Brasil nesse ranking se deve a fatores como o tamanho populacional, o abandono de doses, a desinformação e a fragilidade na busca ativa por crianças que não completaram o esquema vacinal. A vacina DTP, que protege contra difteria, tétano e coqueluche, foi escolhida como indicador por ser uma das primeiras do calendário infantil e ter um histórico de alta cobertura.

Embora o Brasil tenha reduzido o número de crianças "zero dose" de 418 mil em 2022 para 229 mil em 2024, a cobertura ainda está abaixo da meta ideal de 95%. A mudança metodológica do Unicef, que não aplicou correções nos dados, também influenciou a posição do país no ranking, já que em anos anteriores, o Brasil tinha uma cobertura estimada de 96%.

O infectologista pediatra Renato Kfouri explica que o levantamento considera números absolutos, o que impacta países populosos como o Brasil, que, mesmo com coberturas razoáveis, aparecem entre os piores. A queda nas taxas de vacinação começou antes da pandemia, com a eliminação de doenças como sarampo e poliomielite, o que diminuiu a percepção de urgência em vacinar.

A desinformação, especialmente nas redes sociais, também contribuiu para a hesitação vacinal. A pandemia de Covid-19 agravou a situação, pois as unidades de saúde precisaram reorganizar atendimentos, e as campanhas de imunização infantil perderam prioridade. Além disso, a gestão anterior do governo incentivou o negacionismo científico, afetando a confiança da população nas vacinas.

Dados do Unicef mostram que a cobertura vacinal da tríplice viral caiu de 95% em 2016 para 87% em 2017, e em 2024, voltou a subir para 93%. A evasão entre a primeira e a segunda dose da vacina tríplice viral ultrapassa 50% em 14 estados. O Ministério da Saúde afirma que o Brasil está avançando na imunização infantil, e ações de incentivo à vacinação são essenciais para garantir a proteção das crianças. Nessa situação, nossa união pode ajudar os menos favorecidos a terem acesso à vacinação e à saúde adequada.

Folha de São Paulo
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