Brasil se destaca com 40 soluções climáticas, mas enfrenta polarização política que fragiliza o Ministério do Meio Ambiente. A nova organização Meridiana busca diálogo com o centro-direita para fortalecer a agenda climática.

A poucos meses da Conferência do Clima de Belém, a COP30, o Brasil se encontra em uma posição contraditória. O país possui um conjunto de soluções ambientais reconhecidas internacionalmente, mas enfrenta uma crescente polarização política que dificulta a atuação do Ministério do Meio Ambiente. Essa situação se evidenciou em junho, quando dois eventos ocorreram simultaneamente: o lançamento do relatório "Soluções em Clima e Natureza do Brasil", que mapeou 40 iniciativas climáticas, e uma nova rodada de ataques à ministra Marina Silva na Câmara dos Deputados.
O relatório, elaborado pelos Institutos Arapyaú e Itaúsa, envolveu três meses de trabalho com setenta especialistas e sistematizou iniciativas nos principais setores emissores de gases de efeito estufa, como agricultura, pecuária, florestas, energia e bioeconomia. Entre as soluções destacadas, está o mercado de bioinsumos, que movimenta R$ 5 bilhões anuais, com crescimento quatro vezes superior à média mundial. O Brasil também se destaca no monitoramento florestal por satélite, fundamental para as políticas de controle do desmatamento na Amazônia Legal.
Renata Piazzon, diretora do Arapyaú, enfatiza que a capacidade técnica do Brasil deve ser convertida em competitividade econômica. Ela afirma que "não existe dicotomia entre preservar o planeta e gerar valor econômico", sugerindo que a criação de mecanismos como créditos de carbono e pagamentos por serviços ambientais é essencial. O relatório também aponta a bioeconomia como um setor com grande potencial transformador, abrangendo desde commodities tradicionais até biotecnologia avançada.
Além do mapeamento, a filantropia brasileira tem redefinido seu papel no ecossistema climático, transitando de um modelo assistencialista para uma abordagem de articulação sistêmica. O projeto MapBiomas, incubado pelo Arapyaú, se tornou uma plataforma de monitoramento territorial replicada em vinte países. Piazzon destaca a importância de articular esferas privadas e políticas para transformar a agenda climática em uma prioridade.
Entretanto, a fragilização política do Ministério do Meio Ambiente é um desafio. Durante uma sabatina, a ministra enfrentou questionamentos agressivos de deputados bolsonaristas, refletindo um desmonte das políticas ambientais. A polarização pode comprometer a capacidade do Brasil de liderar as negociações na COP30, uma vez que a estabilidade institucional é avaliada por outros países. Para enfrentar essa fragmentação, o Arapyaú criou a Meridiana, uma organização voltada ao diálogo com o centro-direita sobre a agenda climática.
Enquanto isso, empresas de setores impactados pela regulamentação ambiental estão adotando iniciativas de sustentabilidade, como rastreabilidade e agricultura regenerativa. No entanto, a falta de marcos regulatórios limita a competitividade de práticas sustentáveis. A necessidade de atrair capital privado é urgente, especialmente com a meta de elevar os recursos anuais para R$ 1,3 trilhão, conforme acordado na COP29. Projetos que visam a descarbonização global precisam de apoio, e a união da sociedade civil pode ser fundamental para impulsionar essas iniciativas.

Estudo revela que as geleiras do mundo continuarão a derreter, mesmo com ações climáticas. Limitar o aquecimento a 1,5 °C pode preservar o dobro do gelo em um milênio, evitando consequências severas.

O presidente da Áustria, Alexander Van der Bellen, não comparecerá à COP-30 em Belém devido aos altos custos da viagem, sendo substituído pelo ministro do Meio Ambiente. A ministra Marina Silva criticou os preços abusivos de hospedagem, que chegam a ser até 15 vezes maiores que o normal, o que pode comprometer a participação de delegações e os acordos climáticos.

A COP30, conferência da ONU sobre clima, ocorrerá em Belém, mas negociadores de 25 países pedem mudança de local devido aos altos preços de hospedagem, ameaçando a participação de nações menos desenvolvidas.

Foi anunciado o Fórum de Líderes Locais da COP30, que ocorrerá no Rio de Janeiro de 3 a 5 de novembro, reunindo prefeitos e governadores para discutir soluções climáticas locais e financiamento. O evento, que antecede a conferência em Belém, visa destacar o papel das cidades na luta contra a crise climática e reforçar o multilateralismo.

O Brasil celebra um ano da Política Nacional de Manejo Integrado do Fogo (PNMIF), com redução de 65,8% nas áreas queimadas e aumento de brigadistas. Ações interministeriais visam fortalecer o combate a incêndios.

O Brasil se prepara para liderar a COP30, com foco na redução da dependência do petróleo e na mitigação das emissões de metano, conforme destacado pelo ministro da Fazenda, Fernando Haddad. A urgência da transição energética é evidente, e o país pode estabelecer uma regulação robusta para o setor de óleo e gás, aproveitando sua posição de destaque. Essa ação não apenas beneficiaria o meio ambiente, mas também traria ganhos econômicos e geopolíticos, alinhando o Brasil com as expectativas globais.