Produtores de cacau na Amazônia enfrentam seca extrema em 2024, com escassez hídrica nos rios Xingu e Iriri, forçando adaptações nas práticas agrícolas e diversificação de culturas. A situação ameaça a produção e a qualidade do cacau, essencial para a economia local.

A Amazônia, especialmente a região do Xingu, no Pará, enfrenta uma severa crise hídrica que impacta diretamente a produção de cacau. Em 2024, a seca extrema e a declaração de escassez hídrica nos rios Xingu e Iriri forçaram os agricultores a repensar suas práticas agrícolas. O que deveria ser um período de colheita abundante se transformou em um desafio sem precedentes, afetando tradições de cultivo que perduram há gerações.
Os produtores de cacau, que dependem de um calendário agrícola previsível, agora lidam com mudanças drásticas nos padrões climáticos. Historicamente, a estação chuvosa na região durava cerca de sete meses, mas a seca prolongada alterou esse ciclo, resultando em colheitas atrasadas e menor produtividade. Robson Brogni, da Ascurra, destaca que "quando o padrão de chuva muda, a planta sente imediatamente, e nós sentimos no bolso".
Dados do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE) indicam que as mudanças climáticas podem reduzir entre 37% e 73% das áreas adequadas para o cultivo de cacau na Amazônia até 2050. O aumento das temperaturas e a diminuição da precipitação criam condições adversas em uma região que sempre foi rica em recursos hídricos. Essa nova realidade força os agricultores a se adaptarem rapidamente, diversificando suas culturas e implementando novas técnicas de cultivo.
A produção de cacau no Xingu é vital, representando mais de 75% da produção do Pará, que, por sua vez, é responsável por mais da metade da produção nacional. Em 2024, a produtividade média na região alcançou novecentos e quarenta e seis quilos por hectare, um número impressionante em comparação com a Bahia, que registrou apenas duzentos e cinquenta quilos por hectare. Contudo, a qualidade do cacau, reconhecida internacionalmente, está em risco devido às condições climáticas adversas.
Além dos impactos na agricultura, a crise hídrica afeta comunidades ribeirinhas, que enfrentam incêndios em áreas antes seguras e dificuldades de transporte devido à baixa dos rios. A situação no Xingu é um reflexo de um padrão global, onde o preço do cacau subiu 136% entre julho de 2022 e fevereiro de 2024, devido a eventos climáticos extremos. A preservação da floresta se torna uma questão econômica, não apenas ambiental.
Para enfrentar esses desafios, os produtores estão experimentando variedades de cacau mais resistentes e adotando sistemas agroflorestais que ajudam a conservar a umidade do solo. A adaptação é essencial para garantir a sustentabilidade da produção. Nessa situação, a união da sociedade pode ser fundamental para apoiar iniciativas que promovam a resiliência e a inovação na agricultura, garantindo um futuro mais seguro para os produtores e suas comunidades.

Em 2024, o Brasil enfrentou a maior perda de cobertura arbórea desde 2016, com trinta milhões de hectares degradados, sendo 66% por incêndios, superando a agricultura. O Global Forest Watch alerta para um ciclo perigoso de mudanças climáticas.

O projeto RESTORE, que envolve Brasil, França e Alemanha, utiliza nanopartículas e microrganismos para aumentar o crescimento de plantas e resistência à seca, promovendo soluções inovadoras para desafios ambientais.

Cientistas da Universidade Federal de Alagoas e da University of Hawai’i at Mānoa detectaram microplásticos em placentas e cordões umbilicais de gestantes em Maceió, a primeira ocorrência na América Latina, com riscos à saúde fetal.

Prefeitura do Rio e ICMBio firmam parceria para revitalizar o Parque Nacional da Tijuca, com foco em segurança, infraestrutura e conservação. Iniciativas incluem asfalto, aumento de guardas e melhorias na drenagem.

Especialistas na COP 30 Amazônia afirmam que investimentos sustentáveis são financeiramente viáveis e essenciais para enfrentar as mudanças climáticas. O evento destacou a importância de financiar tanto a mitigação quanto a adaptação.

O BNDES destinou até R$ 150 milhões do Fundo Amazônia para o projeto Manejo Integrado do Fogo, focando na prevenção e combate a incêndios no Cerrado e Pantanal, expandindo sua atuação além da Amazônia.