Meio Ambiente

Mudanças climáticas alteram colheita de cacau na Amazônia e ameaçam tradições agrícolas centenárias

Produtores de cacau na Amazônia enfrentam seca extrema em 2024, com escassez hídrica nos rios Xingu e Iriri, forçando adaptações nas práticas agrícolas e diversificação de culturas. A situação ameaça a produção e a qualidade do cacau, essencial para a economia local.

Atualizado em
July 13, 2025
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Plantação de cacau em Brasil Novo, região rural de Altamira - Foto: Marina Verenicz/Infomoney

A Amazônia, especialmente a região do Xingu, no Pará, enfrenta uma severa crise hídrica que impacta diretamente a produção de cacau. Em 2024, a seca extrema e a declaração de escassez hídrica nos rios Xingu e Iriri forçaram os agricultores a repensar suas práticas agrícolas. O que deveria ser um período de colheita abundante se transformou em um desafio sem precedentes, afetando tradições de cultivo que perduram há gerações.

Os produtores de cacau, que dependem de um calendário agrícola previsível, agora lidam com mudanças drásticas nos padrões climáticos. Historicamente, a estação chuvosa na região durava cerca de sete meses, mas a seca prolongada alterou esse ciclo, resultando em colheitas atrasadas e menor produtividade. Robson Brogni, da Ascurra, destaca que "quando o padrão de chuva muda, a planta sente imediatamente, e nós sentimos no bolso".

Dados do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE) indicam que as mudanças climáticas podem reduzir entre 37% e 73% das áreas adequadas para o cultivo de cacau na Amazônia até 2050. O aumento das temperaturas e a diminuição da precipitação criam condições adversas em uma região que sempre foi rica em recursos hídricos. Essa nova realidade força os agricultores a se adaptarem rapidamente, diversificando suas culturas e implementando novas técnicas de cultivo.

A produção de cacau no Xingu é vital, representando mais de 75% da produção do Pará, que, por sua vez, é responsável por mais da metade da produção nacional. Em 2024, a produtividade média na região alcançou novecentos e quarenta e seis quilos por hectare, um número impressionante em comparação com a Bahia, que registrou apenas duzentos e cinquenta quilos por hectare. Contudo, a qualidade do cacau, reconhecida internacionalmente, está em risco devido às condições climáticas adversas.

Além dos impactos na agricultura, a crise hídrica afeta comunidades ribeirinhas, que enfrentam incêndios em áreas antes seguras e dificuldades de transporte devido à baixa dos rios. A situação no Xingu é um reflexo de um padrão global, onde o preço do cacau subiu 136% entre julho de 2022 e fevereiro de 2024, devido a eventos climáticos extremos. A preservação da floresta se torna uma questão econômica, não apenas ambiental.

Para enfrentar esses desafios, os produtores estão experimentando variedades de cacau mais resistentes e adotando sistemas agroflorestais que ajudam a conservar a umidade do solo. A adaptação é essencial para garantir a sustentabilidade da produção. Nessa situação, a união da sociedade pode ser fundamental para apoiar iniciativas que promovam a resiliência e a inovação na agricultura, garantindo um futuro mais seguro para os produtores e suas comunidades.

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