Meio Ambiente

Cade suspende moratória que proibia compra de soja de terras desmatadas na Amazônia e gera polêmica ambiental

Cade suspende moratória que proíbe compra de soja de terras desmatadas na Amazônia, gerando críticas do Ministério do Meio Ambiente e ONGs, que temem aumento do desmatamento e impactos ambientais negativos.

Atualizado em
August 20, 2025
Clock Icon
4
min
Soja: Cade suspende acordo e libera que empresas comprem grão de terras desmatadas na Amazônia. (Lucas Ninno/Getty Images)

O Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) suspendeu a moratória que impedia grandes empresas de soja de adquirir grãos provenientes de terras desmatadas na Amazônia. A decisão, anunciada na noite de 18 de agosto de 2025, foi criticada pelo Ministério do Meio Ambiente, especialmente com a proximidade da Conferência das Partes (COP30) em Belém. O Cade justificou a suspensão como uma "medida preventiva", alegando que o pacto, em vigor desde 2006, configura um "acordo anticompetitivo" que prejudica a exportação de soja.

O Brasil, que exportou 96,8 milhões de toneladas de soja entre janeiro e novembro de 2024, é o maior exportador mundial do produto. As trinta empresas signatárias da moratória, incluindo a Cargill e a Louis Dreyfus, têm um prazo de dez dias para se desvincular do acordo, sob pena de multas severas. O Ministério do Meio Ambiente expressou sua preocupação, ressaltando que a moratória trouxe "resultados inegáveis para a proteção ambiental", com um crescimento de 427% na área dedicada à soja na Amazônia entre 2006 e 2023, sem novos desmatamentos.

A decisão do Cade foi motivada por uma solicitação da Comissão de Agricultura da Câmara dos Deputados, que representa o forte lobby do agronegócio no país. A moratória foi estabelecida em resposta à pressão do mercado europeu, que buscava reduzir o desmatamento na Amazônia. Desde sua implementação, a moratória foi considerada um sucesso na proteção ambiental, com uma redução de 69% no desmatamento nas áreas abrangidas entre 2009 e 2022.

Organizações não governamentais, como a Mighty Earth, criticaram a suspensão, afirmando que isso pode levar a um aumento do desmatamento em um dos ecossistemas mais importantes do planeta. Cristiane Mazetti, representante do Greenpeace Brasil, lamentou a decisão, afirmando que ela não apenas incentiva o desmatamento, mas também silencia o direito dos consumidores de escolher produtos que não contribuam para a devastação da Amazônia.

A suspensão da moratória foi celebrada pela Associação dos Produtores de Soja e Milho de Mato Grosso (Aprosoja), que a considerou um avanço na defesa da livre concorrência. A polêmica em torno da decisão do Cade destaca a tensão entre interesses econômicos e a necessidade de proteção ambiental, especialmente em um momento crítico para as discussões climáticas globais.

Em situações como essa, a mobilização da sociedade civil pode ser fundamental para apoiar iniciativas que visem a proteção ambiental e a preservação da Amazônia. Projetos que promovem a sustentabilidade e o respeito ao meio ambiente merecem ser incentivados e podem fazer a diferença na luta contra o desmatamento.

Leia mais

Fundo Amazônia destina R$ 150 milhões para combater incêndios no cerrado e pantanal pela primeira vez
Meio Ambiente
Clock Icon
4
min
Fundo Amazônia destina R$ 150 milhões para combater incêndios no cerrado e pantanal pela primeira vez
News Card

O Fundo Amazônia destinará R$ 150 milhões para combater incêndios no cerrado e no pantanal, abrangendo cinco estados e o Distrito Federal, em resposta ao aumento das queimadas em 2024. Essa é a primeira vez que os recursos do fundo, criado em 2008, serão usados fora da Amazônia Legal, refletindo a crescente preocupação do governo com o aumento das queimadas e suas consequências ambientais.

Secas extremas de 2023 a 2025 afetam economias e ecossistemas em todo o mundo, revela relatório da ONU
Meio Ambiente
Clock Icon
4
min
Secas extremas de 2023 a 2025 afetam economias e ecossistemas em todo o mundo, revela relatório da ONU
News Card

Secas recordes entre 2023 e 2025 causaram danos sem precedentes em diversas regiões, incluindo a Amazônia, afetando economias e ecossistemas globalmente, segundo relatório da UNCCD. O fenômeno El Niño e a mudança climática intensificaram os efeitos da seca, resultando em perdas significativas no comércio internacional e impactos severos na fauna e flora.

Poluição do ar aumenta risco de demência, revela estudo da Universidade de Cambridge
Meio Ambiente
Clock Icon
4
min
Poluição do ar aumenta risco de demência, revela estudo da Universidade de Cambridge
News Card

Estudo da Universidade de Cambridge revela que poluentes como PM2,5 e NO2 aumentam o risco de demência, especialmente a vascular, exigindo ações em saúde e políticas urbanas.

Cientistas descobrem nova espécie de sucuri-verde na Amazônia, revelando complexidade evolutiva das serpentes gigantes
Meio Ambiente
Clock Icon
3
min
Cientistas descobrem nova espécie de sucuri-verde na Amazônia, revelando complexidade evolutiva das serpentes gigantes
News Card

Cientistas descobriram a nova espécie de sucuri-verde, Eunectes akayima, na Amazônia, medindo 8 metros e pesando mais de 200 quilos, revelando divergência genética de 5,5% em relação à Eunectes murinus. A descoberta ressalta a urgência de ações de conservação, dado o risco de extinção da espécie devido ao desmatamento e mudanças climáticas.

Governo brasileiro lança Fundo Florestas Tropicais para Sempre para combater desmatamento e preservar biodiversidade
Meio Ambiente
Clock Icon
3
min
Governo brasileiro lança Fundo Florestas Tropicais para Sempre para combater desmatamento e preservar biodiversidade
News Card

Fundo Florestas Tropicais para Sempre (TFFF) visa preservar florestas tropicais. A iniciativa, lançada na Semana do Clima da ONU, promete pagamentos anuais por hectare preservado, incentivando países a manterem suas florestas.

Audiência pública definirá novas Unidades de Conservação na Baixada de Jacarepaguá em agosto
Meio Ambiente
Clock Icon
3
min
Audiência pública definirá novas Unidades de Conservação na Baixada de Jacarepaguá em agosto
News Card

Audiência pública em 16 de agosto definirá novas Unidades de Conservação na Baixada de Jacarepaguá, visando a proteção ambiental e gestão do Corredor Azul, com quatro áreas propostas. A iniciativa busca enfrentar desafios de urbanização e ocupações irregulares.