O programa Caminhos da Inclusão, em Minas Gerais, facilita a venda de produtos da agricultura familiar na Ceasa, beneficiando pequenos produtores e promovendo a regularização sanitária. A iniciativa já cadastrou mais de cem agricultores e visa aumentar o acesso a mercados, melhorando a saúde e a sustentabilidade.

No Brasil, um país reconhecido pelo agronegócio, a produção agrícola é dominada por uma elite de grandes fazendeiros, enquanto pequenos produtores são responsáveis por sessenta e cinco por cento dos alimentos consumidos. A abertura de mercados para a agricultura familiar ainda está em desenvolvimento, mas iniciativas como o programa Caminhos da Inclusão, em Minas Gerais, estão promovendo avanços significativos. Este programa, em parceria com a Ceasa e o Ministério do Desenvolvimento Agrário (MDA), visa facilitar a venda de produtos da agricultura familiar na central de abastecimento em Uberlândia.
Desde junho, o Caminhos da Inclusão tem beneficiado grupos prioritários, como assentados da reforma agrária, quilombolas e indígenas. O objetivo é promover a regularização sanitária, permitindo que agroindústrias de pequeno porte acessem os principais mercados do país. Após as primeiras oficinas, mais de cem produtores rurais estão cadastrados, e trinta e oito já comercializam seus produtos na Ceasa de Uberlândia. Outros entrepostos em Governador Valadares e Contagem também receberão agricultores em breve.
A inauguração de uma horta comunitária em Valadares, que comercializará seu excedente, é um exemplo do impacto positivo do programa. Em Contagem, a equipe do MDA e da Ceasa já iniciou o cadastramento de pequenos produtores, promovendo visitas a diversas regiões produtoras. Ludmila Ribeiro, uma agricultora de Uberlândia, destacou que, após entrar na Ceasa, sua produção aumentou quatro vezes, permitindo vendas em maior escala e melhorando a logística de escoamento.
Vagner Rodrigues, integrante do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST), enfatizou a importância do projeto para a saúde e o meio ambiente. Ele mencionou que o MST é o maior produtor de arroz orgânico da América Latina e que suas práticas agroecológicas não utilizam defensivos químicos. Fábio Nunes, presidente da Cooperativa Camponesa Central de Minas Gerais, ressaltou que a inserção no mercado ainda é um desafio, mas o programa Caminhos da Inclusão busca superar essas barreiras.
A proposta do governo é identificar gargalos na certificação sanitária das cadeias produtivas da agricultura familiar, considerando as especificidades de comunidades tradicionais. Raquel Martins Luciano, coordenadora de Apoio à Inclusão Sanitária do MDA, explicou que o objetivo é qualificar a fiscalização e a emissão de registros sanitários, promovendo a inclusão produtiva e social. Ana Terra Reis, secretária nacional de Abastecimento do MDA, afirmou que cooperativas que participam de programas como o Programa de Aquisição de Alimentos (PAA) devem estar inseridas nos processos de inclusão sanitária.
O Caminhos da Inclusão também se destaca pela aproximação com agricultores que, por falta de informação, não comercializam em entrepostos. Felipe Ávila, diretor técnico da Ceasa Minas, mencionou que o programa orienta sobre insumos e a importância do cooperativismo. Projetos como esse devem ser estimulados pela sociedade civil, pois a união pode fazer a diferença na vida de pequenos produtores e na promoção de uma alimentação mais saudável e sustentável.

A nova tarifa social de energia, que oferece descontos de até 60% na conta de luz, já está em vigor, beneficiando até 60 milhões de pessoas de baixa renda. A medida, publicada em maio, aguarda aprovação do Congresso Nacional.

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