Impacto Social

Censo 2022 revela apagamento de milhões de pessoas com deficiência e ameaça políticas públicas inclusivas

O Censo 2022 indicou apenas 7,3% da população brasileira com deficiência, gerando controvérsias sobre a metodologia utilizada, que excluiu informações cruciais. A invisibilidade social compromete políticas públicas essenciais.

Atualizado em
July 25, 2025
Clock Icon
4
min
Luciana Trindade, cadeirante e ativista no campo de acessibilidade na infraestrutura da cidade - Rafaela Araújo - 22.mai.25/Folhapress

O Censo 2022 trouxe à tona uma significativa redução no número de pessoas com deficiência no Brasil, passando de 23,9% da população em 2010 para apenas 7,3% em 2022. Essa mudança, que representa cerca de 30 milhões de pessoas a menos, levanta sérias questões sobre a metodologia utilizada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). A nova abordagem, alinhada às diretrizes do Grupo de Washington, excluiu informações cruciais sobre deficiência em grande parte dos questionários aplicados.

O IBGE justificou a discrepância, afirmando que a comparação entre os censos de 2010 e 2022 não é viável devido às mudanças metodológicas. Em 2022, a maioria das residências recebeu o questionário básico, que não incluía perguntas sobre deficiência. Apenas um número limitado de domicílios teve acesso ao questionário ampliado, que permitia registrar essa informação. Essa situação evidencia um apagamento social das pessoas com deficiência, que pode resultar em uma falta de políticas públicas adequadas.

A ausência de dados precisos sobre a população com deficiência compromete a criação de programas sociais e a implementação de políticas de inclusão. Sem reconhecimento oficial, essas pessoas ficam à margem das ações do Estado, que se desobriga de garantir direitos básicos e serviços essenciais, como saúde e educação. A luta por visibilidade e direitos se torna ainda mais urgente diante desse cenário de invisibilidade.

A ativista Luciana Trindade destaca que a redução dos números não reflete a realidade, especialmente considerando o aumento dos diagnósticos de condições como o autismo. A falta de informações precisas pode levar a uma subnotificação, perpetuando a marginalização desse grupo. A situação é alarmante, pois milhões de pessoas com deficiência permanecem fora do radar das políticas públicas, condenadas à miséria e à exclusão.

O Censo 2022, que ocorreu apenas por determinação do Supremo Tribunal Federal (STF), não deve ser visto como um evento isolado. A necessidade de uma nova coleta de dados, com metodologias adequadas, é evidente. O apagamento de 30 milhões de pessoas dos índices oficiais exige uma reavaliação cuidadosa, sob pena de perpetuarmos um capacitismo estrutural que nega a existência e os direitos das pessoas com deficiência.

Essa situação clama por ação. A sociedade civil deve se mobilizar para garantir que as vozes das pessoas com deficiência sejam ouvidas e que suas necessidades sejam atendidas. Projetos que visem a inclusão e a acessibilidade precisam de apoio e visibilidade, pois a união em torno dessas causas pode transformar realidades e promover justiça social.

Folha de São Paulo
Quero ajudar

Leia mais

Artistas de Houston e Austin recebem R$ 30 mil cada para projetos que promovem direitos civis no Texas
Impacto Social
Clock Icon
3
min
Artistas de Houston e Austin recebem R$ 30 mil cada para projetos que promovem direitos civis no Texas
News Card

A ACLU do Texas anunciou os artistas residentes Vincent Valdez e KB Brookins para 2025-26, que receberão R$ 30 mil cada para projetos sobre direitos civis e encarceramento em massa. Valdez retratará líderes comunitários, enquanto Brookins abordará a detenção pré-julgamento em prisões. A colaboração visa destacar a urgência de proteger os direitos de todos os texanos.

Supremo Tribunal Federal determina plano de reocupação de favelas no Rio de Janeiro e articulação em mobilidade urbana
Impacto Social
Clock Icon
4
min
Supremo Tribunal Federal determina plano de reocupação de favelas no Rio de Janeiro e articulação em mobilidade urbana
News Card

O Supremo Tribunal Federal determinou que o governo do Rio de Janeiro elabore um plano de reocupação de áreas dominadas pelo crime, enquanto Prefeitura e governo estadual firmam acordo para revitalizar o sistema de trens.

"Abandonar o consumo de refrigerantes exige estratégia e apoio para evitar recaídas"
Impacto Social
Clock Icon
3
min
"Abandonar o consumo de refrigerantes exige estratégia e apoio para evitar recaídas"
News Card

O consumo de refrigerantes entre brasileiros gera prazeres instantâneos, mas traz riscos à saúde, como diabetes e hipertensão. Nutricionistas recomendam estratégias eficazes para reduzir esse hábito.

Eventos culturais no Rio de Janeiro destacam iniciativas sociais e promovem vozes das periferias
Impacto Social
Clock Icon
4
min
Eventos culturais no Rio de Janeiro destacam iniciativas sociais e promovem vozes das periferias
News Card

O mês de junho no Rio de Janeiro foi marcado por eventos culturais e sociais, como o 1º Encontro de Mídias Periféricas, o Festival LED Luz na Educação e a 9ª edição do Rio Refugia, promovendo diálogos sobre educação e inclusão. Essas iniciativas destacam a importância da valorização das vozes periféricas e a transformação social por meio da cultura.

Fafá de Belém promove sarau sobre a Amazônia na Universidade Autónoma de Lisboa em prol da sustentabilidade
Impacto Social
Clock Icon
3
min
Fafá de Belém promove sarau sobre a Amazônia na Universidade Autónoma de Lisboa em prol da sustentabilidade
News Card

Fafá de Belém será a anfitriã do sarau “Ciência e Vozes da Amazônia – Diálogos em Portugal”, em Lisboa, no dia sete. O evento, em parceria com a Universidade Federal do Pará, busca fortalecer laços entre Brasil e Portugal em prol de um futuro sustentável, reunindo especialistas e representantes da sociedade civil. A artista, natural de Belém, enfatiza que a Amazônia é mais que uma floresta; é cultura e resistência.

Fibromialgia é reconhecida como deficiência a partir de 2026, garantindo novos direitos aos pacientes
Impacto Social
Clock Icon
3
min
Fibromialgia é reconhecida como deficiência a partir de 2026, garantindo novos direitos aos pacientes
News Card

A partir de janeiro de 2026, a fibromialgia será oficialmente reconhecida como deficiência, garantindo direitos como cotas em concursos e isenção de IPI na compra de veículos. A Lei 15.176, sancionada pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva, amplia o reconhecimento e os direitos das pessoas com essa síndrome em todo o país.