Impacto Social

Censo 2022 revela desafios enfrentados por quilombolas em áreas urbanas e rurais no Brasil

Censo Demográfico 2022 revela que 38% da população quilombola reside em áreas urbanas, enfrentando graves problemas de saneamento e educação, com taxas de analfabetismo superiores à média nacional.

Atualizado em
May 9, 2025
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Fachada de escola quilombola na cidade de Cachoeira (BA) - Rafaela Araújo - 18.mar.2023/Folhapress

Dados do Censo Demográfico 2022 revelam que a população quilombola no Brasil, composta por aproximadamente 1,3 milhão de pessoas, enfrenta desafios significativos. Embora seis em cada dez quilombolas ainda residam em áreas rurais, a presença urbana desse grupo aumentou, com 38% vivendo em cidades. Essa mudança reflete transformações no modo de vida e o avanço das áreas urbanas sobre suas comunidades, trazendo à tona questões de acesso a serviços básicos e educação.

Os dados mostram que os quilombolas urbanos enfrentam condições precárias em relação ao abastecimento de água e saneamento. A pesquisa indica que 43,5% dos quilombolas em áreas rurais não têm acesso a água encanada, enquanto essa taxa é de 9,2% nas áreas urbanas. Comparativamente, a população geral do Brasil apresenta uma taxa de apenas 2,7% de moradores sem abastecimento adequado, evidenciando a disparidade enfrentada por esse grupo.

Além disso, as taxas de analfabetismo entre os quilombolas são alarmantes. Enquanto a média nacional é de 7%, a taxa entre os quilombolas chega a 19%, subindo para 22% nas áreas rurais. Nos centros urbanos, a taxa de analfabetismo é de 13,3%, com um aumento significativo entre aqueles que vivem em territórios reconhecidos. Esses dados ressaltam a necessidade urgente de políticas públicas direcionadas a essa população.

O Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) destaca que a situação dos quilombolas varia conforme a região do país. O Centro-Oeste apresenta a maior proporção de quilombolas em áreas urbanas, com 68%, enquanto o Nordeste concentra a maioria em áreas rurais, com 65%. O Distrito Federal tem a maior taxa de quilombolas urbanos, com 95%, contrastando com o Piauí, onde 88% vivem no campo.

As diferenças na razão de sexo também são notáveis. A razão de homens para mulheres entre os quilombolas é de 100,8 no total, mas cai para 92,6 nas áreas urbanas. Isso indica uma mudança demográfica que pode impactar a estrutura social e econômica dessas comunidades. A população quilombola rural é mais jovem, enquanto a urbana apresenta um envelhecimento, refletindo padrões migratórios em busca de melhores condições de vida.

Esses dados do Censo 2022 evidenciam a necessidade de ações concretas para melhorar a qualidade de vida das comunidades quilombolas. A união da sociedade civil pode ser fundamental para apoiar iniciativas que visem a inclusão e o fortalecimento dessas populações. Projetos que promovam a educação e o acesso a serviços básicos são essenciais para garantir um futuro mais justo e igualitário para todos.

Folha de São Paulo
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