Meio Ambiente

Coleta de lixo atinge 86,9% dos domicílios brasileiros, mas 4,7 milhões ainda queimam resíduos

Em 2024, a coleta de lixo no Brasil atingiu 86,9% dos domicílios, mas 4,7 milhões ainda queimam resíduos. A desigualdade no esgotamento sanitário e no abastecimento de água persiste, especialmente nas áreas rurais.

Atualizado em
August 22, 2025
Clock Icon
3
min
Lixão próximo à cidade de Alexânia (GO): 4,7 milhões de domicílios ainda queimam resíduos — Foto: Cristiano Mariz/Agência O Globo/29/07/2025

A coleta de lixo no Brasil atingiu a marca de 86,9% dos domicílios em 2024, um aumento significativo em relação aos 82,7% registrados em 2016. Apesar desse progresso, ainda há 4,7 milhões de residências que queimam seus resíduos, representando 6,1% do total. Os dados foram divulgados pela Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (Pnad Contínua) do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) nesta sexta-feira.

Nas áreas urbanas, 93,9% dos domicílios contam com o serviço de coleta de lixo, enquanto apenas 0,4% queimam resíduos. Em contrapartida, nas áreas rurais, apenas 33,1% das moradias têm acesso à coleta, e mais da metade, 50,5%, ainda recorre à queima de lixo. Esses dados evidenciam a desigualdade no acesso aos serviços de coleta de lixo entre as diferentes regiões do país.

O acesso ao esgotamento sanitário também apresenta números preocupantes. Em 70,4% dos domicílios brasileiros, o esgoto é tratado por rede coletora ou fossa séptica conectada à rede geral. Essa taxa subiu apenas 2,3% desde 2019. A situação é ainda mais crítica nas áreas rurais, onde apenas 9,4% dos lares têm acesso a esse tipo de esgotamento, enquanto nas áreas urbanas essa proporção é de 78,1%.

Além disso, 14,4% das residências no Brasil utilizam métodos inadequados de esgotamento, como fossas rudimentares ou despejo em corpos d'água. Nas áreas rurais, essa prática atinge 53,8% da população, contrastando com apenas 9,5% nas áreas urbanas. Esses dados revelam a urgência de melhorias na infraestrutura de saneamento básico, especialmente nas regiões mais carentes.

Quanto ao abastecimento de água, 86,3% dos domicílios têm acesso à rede geral em 2024, um avanço modesto de 0,5 ponto percentual desde 2016. Nas áreas rurais, apenas 31,7% das residências são abastecidas por rede geral, enquanto nas urbanas essa taxa chega a 93,4%. A disparidade no acesso à água potável é um desafio que persiste no país.

Enquanto o saneamento básico enfrenta dificuldades, o acesso à energia elétrica é quase universal, alcançando 99,8% das moradias em 2024. Essa realidade destaca a necessidade de ações coletivas para melhorar as condições de vida das populações menos favorecidas. A união da sociedade civil pode ser um fator crucial para impulsionar iniciativas que promovam melhorias em saneamento e abastecimento, beneficiando aqueles que mais necessitam.

Leia mais

Lula deve vetar projeto que ameaça licenciamento ambiental e compromete biomas brasileiros
Meio Ambiente
Clock Icon
3
min
Lula deve vetar projeto que ameaça licenciamento ambiental e compromete biomas brasileiros
News Card

Carlos Bocuhy, presidente do Instituto Brasileiro de Proteção Ambiental, solicita ao presidente Lula que vete o Projeto de Lei 2.159/2021, que altera o licenciamento ambiental, alertando para riscos climáticos e sociais. O PL propõe um licenciamento autodeclaratório, permitindo que empreendedores assumam responsabilidades sem critérios rigorosos, o que pode levar a um retrocesso ambiental e à especulação econômica. A proposta ignora a emergência climática e compromete biomas essenciais, afetando a segurança alimentar e hídrica no Brasil.

Área de Proteção Ambiental Costa dos Corais enfrenta desafios de urbanização e mudanças climáticas
Meio Ambiente
Clock Icon
4
min
Área de Proteção Ambiental Costa dos Corais enfrenta desafios de urbanização e mudanças climáticas
News Card

A Área de Proteção Ambiental (APA) Costa dos Corais enfrenta desafios com o aumento de visitantes e a pressão urbana. A nova Lei do Mar busca fortalecer a gestão ambiental e a governança marinha. Em 2023, a região recebeu 368 mil turistas, intensificando a especulação imobiliária e a degradação ambiental. A aprovação da Lei do Mar, que aguarda sanção, é um passo importante para a preservação e gestão sustentável dos recursos naturais.

Cerrado registra redução de desmatamento pela primeira vez em quatro anos, enquanto Amazônia enfrenta leve aumento
Meio Ambiente
Clock Icon
3
min
Cerrado registra redução de desmatamento pela primeira vez em quatro anos, enquanto Amazônia enfrenta leve aumento
News Card

O cerrado brasileiro registrou uma queda de 20% nos alertas de desmatamento, enquanto a Amazônia teve a segunda menor área destruída desde 2015, apesar de um leve aumento. Dados do Deter mostram avanços na proteção ambiental.

Quatro araras-canindé retornam ao Parque Nacional da Tijuca após 200 anos de extinção na região
Meio Ambiente
Clock Icon
3
min
Quatro araras-canindé retornam ao Parque Nacional da Tijuca após 200 anos de extinção na região
News Card

Quatro araras-canindé foram reintroduzidas no Parque Nacional da Tijuca, após 200 anos de extinção na região. O projeto, apoiado pelo ICMBio, visa a adaptação das aves antes da soltura completa em seis meses.

Brasil busca apoio internacional para fundo de conservação florestal de US$ 125 bilhões na COP-30
Meio Ambiente
Clock Icon
3
min
Brasil busca apoio internacional para fundo de conservação florestal de US$ 125 bilhões na COP-30
News Card

O governo brasileiro planeja anunciar um fundo de US$ 125 bilhões para conservação florestal na COP-30, com apoio de países amazônicos, visando remunerar a preservação por 40 anos. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva buscará apoio político na Colômbia, onde a criação do Fundo Florestas Tropicais Para Sempre (TFFF) será discutida. O fundo visa incentivar a preservação florestal e atrair investimentos internacionais.

Pinguins-de-magalhães são encontrados mortos em praias do litoral sul de São Paulo em número alarmante
Meio Ambiente
Clock Icon
3
min
Pinguins-de-magalhães são encontrados mortos em praias do litoral sul de São Paulo em número alarmante
News Card

O Instituto de Pesquisa Cananeia (IPeC) reportou a morte de 350 pinguins-de-magalhães em praias de São Paulo, possivelmente devido à migração e problemas de alimentação. O número de vítimas pode aumentar.