Impacto Social

Construção civil enfrenta escassez de mão de obra e lança plano de carreira para atrair novos talentos

A construção civil no Brasil, com 2,9 milhões de trabalhadores, enfrenta uma crise de mão de obra, especialmente entre jovens. Para reverter essa situação, empresários e sindicatos criam um plano de carreira inovador, visando atrair jovens, mulheres e imigrantes.

Atualizado em
August 1, 2025
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Jéssica Mayra Barbosa dos Santos, 32, é servente de obras no Parque Global, na zona sul de São Paulo; com a nova nomenclatura, ela passará a ser chamada de aprendiz e terá um plano de carreira - Karime Xavier/Folhapress

A construção civil no Brasil, que emprega cerca de 2,9 milhões de trabalhadores, enfrenta uma grave crise de mão de obra, especialmente entre os jovens. Para reverter essa situação, empresários e sindicatos estão implementando um plano de carreira inovador, que visa atrair novos profissionais, incluindo jovens, mulheres e imigrantes. O coordenador do Grupo de Trabalho de Recursos Humanos do Sindicato da Indústria da Construção Civil do Estado de São Paulo (Sinduscon-SP), David Fratel, destaca que a falta de aprendizes e ajudantes, que representam 50% da força de trabalho, está afetando o andamento das obras em várias regiões do país.

O novo plano de carreira busca oferecer um caminho claro de progressão, desde a posição de aprendiz até a de mestre de obras. Fratel observa que, apesar dos salários iniciais variando de R$ 2.500,00 a R$ 6.000,00, muitos jovens não veem futuro na profissão devido à falta de um modelo de ascensão. O Sinduscon-SP e o Sindicato dos Trabalhadores nas Indústrias da Construção e do Mobiliário de São Paulo (Sintracon-SP) estão trabalhando em conjunto com o Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial (Senai) para estruturar essa nova abordagem.

Uma das mudanças propostas é a substituição de termos tradicionais, como "servente de pedreiro", por designações mais técnicas, como "auxiliar de construção". Essa estratégia visa combater o preconceito social associado a esses títulos. O plano prevê que, após noventa dias de experiência, o trabalhador possa ser promovido a meio-oficial e, em até um ano, alcançar a posição de trabalhador qualificado, com aumento salarial a cada promoção.

Além disso, a inclusão de mulheres e imigrantes é uma prioridade. Empresas como a Direcional Engenharia têm investido em formação interna, capacitando trabalhadores que começam como serventes para funções mais técnicas. Gláucia Brasileiro, superintendente administrativa de obras, afirma que a empresa está comprometida em formar talentos e gerar inclusão. Exemplos como o de Darcilene Barbosa Vello, que se tornou eletricista após um curso oferecido pela empresa, mostram que essa estratégia pode transformar vidas.

O equilíbrio de gênero também é uma meta, com empresas como a Benx Incorporadora promovendo a presença feminina em áreas técnicas e de gestão. No megaprojeto Parque Global, em São Paulo, a equipe conta com um número igual de homens e mulheres, e todas as áreas de gestão têm representação feminina. A diretora do projeto, Patrícia Neves, ressalta que equipes diversas são mais produtivas e engajadas, trazendo novas perspectivas para a construção civil.

Com a construção civil se destacando como um dos setores que mais geraram empregos, é essencial que a sociedade civil se una para apoiar iniciativas que promovam a inclusão e a formação de novos profissionais. Projetos que visam capacitar e integrar jovens, mulheres e imigrantes podem fazer a diferença e contribuir para um futuro mais promissor no setor. A união em torno dessas causas pode transformar a realidade de muitos trabalhadores e fortalecer a economia.

Folha de São Paulo
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