Meio Ambiente

COP30 destaca a urgência de resgatar o multilateralismo e aborda pela primeira vez combustíveis fósseis

A COP30, presidida por André Corrêa do Lago, abordará pela primeira vez combustíveis fósseis e exigirá resgate do multilateralismo em Bonn, visando mobilizar US$ 1,3 trilhão para o clima.

Atualizado em
May 23, 2025
Clock Icon
4
min
A CEO da COP, Ana Toni (esq.) e o embaixador e presidente da conferência, André Corrêa do Lago. - Evaristo Sa - 10.mar.25/AFP

A presidência da COP30, conferência de clima da ONU, liderada por André Corrêa do Lago, enfatizou a importância de resgatar o multilateralismo em meio à crise atual e pediu mudanças nas negociações internacionais durante a reunião de Bonn, na Alemanha. Em uma carta divulgada em 23 de maio de 2025, o tema dos combustíveis fósseis foi abordado pela primeira vez, destacando a urgência de ações concretas para enfrentar as mudanças climáticas.

A conferência de Bonn, que ocorrerá em junho de 2025, é um evento crucial para os países negociadores avançarem nas discussões que precedem a COP30, programada para novembro e dezembro em Belém, no Pará. O documento destaca que seria um desperdício se as negociações fossem marcadas por procrastinação, alertando que a falta de progresso erodirá a confiança no processo multilateral.

O tema principal do evento em Bonn será a adaptação climática, que envolve ações para aumentar a resiliência da vida na Terra frente ao aquecimento global. Globalmente, há um déficit trilionário em investimentos nessa área, que inclui segurança alimentar e cidades resilientes. A situação no Brasil reflete essa realidade, com a COP30 tendo como objetivo rever as metas do Acordo de Paris, especialmente após o aumento de 1,5ºC na temperatura global em relação à era pré-industrial.

A conferência em Belém também herdou a missão de destravar o financiamento climático, um dos principais obstáculos enfrentados nas últimas edições. A COP30 precisará desenvolver um plano para mobilizar US$ 1,3 trilhão anualmente para enfrentar as mudanças climáticas. Nas cartas anteriores, a presidência brasileira foi criticada por não abordar a questão dos combustíveis fósseis, mas neste terceiro documento, reafirma seu compromisso com a transição energética e o fim do desmatamento.

André Corrêa do Lago afirmou que a COP30 tratará do tema dos combustíveis fósseis, considerado essencial para o sucesso do Acordo de Paris. A carta menciona a necessidade de apoiar mutuamente os países para alcançar metas ambiciosas, como triplicar a capacidade global de energia renovável e promover uma transição justa e equitativa para longe dos combustíveis fósseis.

Embora a carta não mencione diretamente eventos globais como a volta de Donald Trump ao poder ou a guerra na Ucrânia, ela ressalta a necessidade de resgatar a credibilidade do processo multilateral. Em um momento em que a colaboração é vital, a sociedade civil pode desempenhar um papel importante em apoiar iniciativas que promovam a sustentabilidade e a justiça climática, ajudando a transformar compromissos em ações concretas.

Folha de São Paulo
Quero ajudar

Leia mais

Primeiro tamanduá-bandeira nasce em cativeiro no Rio Grande do Sul e marca nova esperança para a espécie
Meio Ambiente
Clock Icon
3
min
Primeiro tamanduá-bandeira nasce em cativeiro no Rio Grande do Sul e marca nova esperança para a espécie
News Card

Nasceu o primeiro tamanduá-bandeira em cativeiro no Rio Grande do Sul, no Gramadozoo, em 14 de junho. O filhote, com 1,5 quilo, é um marco para a conservação da espécie, que enfrenta sérios riscos de extinção.

Brasil enfrenta desafios no saneamento básico e precisa aumentar investimentos para cumprir metas até 2033
Meio Ambiente
Clock Icon
3
min
Brasil enfrenta desafios no saneamento básico e precisa aumentar investimentos para cumprir metas até 2033
News Card

O Brasil ainda enfrenta sérios desafios em saneamento básico, com apenas 55,2% de cobertura de esgoto. Investimentos anuais precisam aumentar de R$ 25,6 bilhões para R$ 45,1 bilhões até 2033 para atender as metas do novo Marco Legal.

Biosfera 2: lições valiosas sobre sustentabilidade e os desafios de viver fora da Terra
Meio Ambiente
Clock Icon
4
min
Biosfera 2: lições valiosas sobre sustentabilidade e os desafios de viver fora da Terra
News Card

Especialistas reavaliam o experimento Biosfera 2, destacando suas lições sobre ecologia e a complexidade de recriar sistemas naturais, além de seu valor na pesquisa sobre mudanças climáticas. O projeto, que custou cerca de US$ 150 milhões, revelou a dificuldade de sustentar a vida humana fora da Terra e a importância de proteger nosso planeta.

Corais enfrentam extinção iminente com aquecimento global; especialistas alertam para futuro incerto
Meio Ambiente
Clock Icon
4
min
Corais enfrentam extinção iminente com aquecimento global; especialistas alertam para futuro incerto
News Card

Cientistas alertam que, com o aquecimento global em 1,4°C, a mortandade em massa de corais já começou, e a evolução dos recifes para ecossistemas diferentes pode impactar a biodiversidade e comunidades que dependem deles.

"Estudo inédito revela resiliência das águas subterrâneas na bacia do Paranapanema em tempos de estiagem"
Meio Ambiente
Clock Icon
3
min
"Estudo inédito revela resiliência das águas subterrâneas na bacia do Paranapanema em tempos de estiagem"
News Card

Estudo revela que, apesar da estiagem e perfuração de poços clandestinos, os níveis de água subterrânea na Bacia do Paranapanema permanecem estáveis, destacando a resiliência hídrica da região. O geólogo Rodrigo Manzione e sua equipe utilizam dados de satélites para monitorar e mapear essas reservas, enfatizando a importância de uma gestão integrada dos recursos hídricos.

Consumidores da Região Metropolitana do Rio de Janeiro adotam práticas sustentáveis no dia a dia
Meio Ambiente
Clock Icon
3
min
Consumidores da Região Metropolitana do Rio de Janeiro adotam práticas sustentáveis no dia a dia
News Card

Consumidores da Região Metropolitana do Rio de Janeiro demonstram forte compromisso com a sustentabilidade, com 92,4% fechando a torneira ao escovar os dentes e 81,1% reutilizando embalagens. A pesquisa do Instituto Fecomércio revela que 62,8% preferem produtos com menor impacto ambiental, enquanto 52,7% separam óleo de cozinha para descarte adequado.