Meio Ambiente

Descarte irregular de lixo em São Paulo cresce 32% no primeiro trimestre de 2025, com bairros em crise ambiental

Denúncias de descarte irregular de lixo em São Paulo aumentaram 32% no primeiro trimestre de 2025, totalizando 51.845 reclamações. A prefeitura intensifica fiscalização e coleta, incluindo a Operação Cata-Bagulho.

Atualizado em
May 11, 2025
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Lixo acumulado em rua da Barra Funda: descarte irregular cresce de forma ininterrupta desde 2021 — Foto: Maria Isabel Oliveira

As denúncias de descarte irregular de lixo e entulho em São Paulo aumentaram 32% no primeiro trimestre de 2025, totalizando 51.845 reclamações, segundo dados da plataforma SP156, da prefeitura. Este crescimento, que representa mais de 570 queixas diárias, ocorre em um cenário de agravamento do problema desde 2021, afetando tanto áreas ricas quanto periferias, com aumento registrado em 80 dos 96 distritos da cidade.

O bairro da Lapa, na Zona Oeste, destacou-se com um aumento de 243% nas reclamações, passando de 300 em 2024 para 1.030 em 2025. O descarte irregular é considerado crime ambiental e pode resultar em multas de até R$ 25 mil e até prisão. A prefeitura, que até o final de 2024 disponibilizava a localização exata das queixas, agora exibe apenas o distrito, dificultando o monitoramento do problema.

Na Lapa, a Rua Tibério se tornou um ponto crítico, com 15 reclamações registradas no final de 2024. Apesar de uma placa indicando a proibição do descarte irregular, a área continua a acumular lixo rapidamente. O analista de tecnologia Tiago Casotte, que passa pela região diariamente, afirma que a situação não melhora, e a chuva agrava o problema, causando alagamentos.

Em Itaquera, na Zona Leste, a professora Cristina Montanhari relata que o acúmulo de lixo atrai pragas urbanas. A Rua Terra Brasileira teve 173 denúncias no final de 2024, posicionando-se entre os locais mais problemáticos da cidade. O professor Antonio Giansante, da Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da Universidade Mackenzie, sugere que a prefeitura amplie a fiscalização e o número de ecopontos, atualmente em 128, para facilitar o descarte correto de materiais.

Ronan Contrera, professor da Escola Politécnica da Universidade de São Paulo (USP), enfatiza a importância de uma resposta rápida às reclamações da população. Ele sugere que, após a limpeza, placas informativas sobre a legislação ambiental sejam colocadas e que a comunidade seja incentivada a denunciar e registrar evidências de descartes irregulares.

Fabrício Cobra, secretário de subprefeituras de São Paulo, destaca que a gestão municipal intensificou as ações de coleta e fiscalização, incluindo a Operação Cata-Bagulho, que recolhe móveis e entulhos mensalmente. O plano prevê a adição de mais dez ecopontos e a realização da operação quinzenalmente. A união da sociedade civil pode ser fundamental para apoiar iniciativas que visem a melhoria do ambiente urbano e a conscientização sobre o descarte correto de resíduos.

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