Um coquetel de anticorpos humanos, desenvolvido a partir do sangue de um influenciador que se autopicou com cobras venenosas, mostrou eficácia na neutralização de venenos em ratos, podendo resultar em um soro antiofídico universal. A pesquisa, realizada pela Centivax e pela Universidade de Columbia, destaca a possibilidade de um tratamento mais seguro e eficaz contra picadas de serpentes, reduzindo reações alérgicas e ampliando a proteção em regiões com alta incidência de acidentes ofídicos.

Um coquetel de anticorpos humanos demonstrou eficácia na neutralização do veneno de dezenove espécies de cobras altamente letais, segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS). Essa descoberta, que pode resultar em um soro antiofídico universal, é especialmente relevante em um cenário onde mais de cem mil mortes anuais são atribuídas a acidentes ofídicos. O estudo foi realizado por cientistas da empresa de biotecnologia Centivax e do centro Aaron Diamond de Pesquisa em Aids da Universidade de Columbia, nos Estados Unidos.
O coquetel é composto por dois anticorpos e uma molécula de pequeno porte, derivados do sistema imunológico de Tim Friede, um influenciador americano que se autopicou com cobras venenosas. Essa é a primeira vez que anticorpos humanos são utilizados para combater o veneno de serpentes, uma inovação que pode reduzir os riscos de reações alérgicas, comuns em soros feitos a partir de anticorpos de animais, como cavalos.
Os testes iniciais foram realizados em ratos, onde o coquetel foi injetado dez minutos após a picada de cobras do gênero Naja, mambas, kraits e taipans. Essas cobras pertencem à família Elapidae, que inclui mais de trezentas espécies venenosas. Os resultados mostraram que o coquetel foi eficaz contra os venenos neurotóxicos dessas serpentes, mas não apresentou resultados positivos contra víboras, como as cascáveis e jararacas, comuns no Brasil.
Peter Kwong, professor de doenças infecciosas na Universidade de Columbia e autor sênior do estudo, destacou que algumas toxinas presentes no veneno de serpentes são altamente conservadas, o que explica a alta reatividade do coquetel. A pesquisa também revelou que o produto pode ser armazenado em pó, o que facilita a distribuição e reduz custos, especialmente em regiões com acesso limitado a tratamentos médicos.
O próximo passo da pesquisa envolve testes em modelos animais maiores, como cães, que possuem um tamanho corporal semelhante ao dos humanos. Os cientistas também planejam desenvolver um coquetel que seja eficaz contra víboras, ampliando assim o alcance do tratamento. A expectativa é que, com o financiamento adequado, os testes clínicos em humanos possam ser iniciados em um prazo de dois a quatro anos.
Essa inovação representa uma esperança significativa para as vítimas de acidentes ofídicos, especialmente em áreas rurais e países em desenvolvimento, onde o acesso a tratamentos é limitado. A união da sociedade civil pode ser fundamental para apoiar iniciativas que busquem desenvolver e disponibilizar esses novos tratamentos, beneficiando aqueles que mais precisam.

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