Impacto Social

Cracolândia: usuários se dispersam e enfrentam agressões em novos pontos de São Paulo

Usuários de drogas foram deslocados da Cracolândia para a Praça Marechal Deodoro, onde aumentaram as agressões e a presença da Guarda Civil Metropolitana é quase inexistente, gerando preocupações com a segurança.

Atualizado em
May 14, 2025
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'Fluxo' da Cracolândia diminui, mas Prefeitura de SP não informa para onde dependentes químicos foram — Foto: Reprodução/TV Globo

Após a remoção de usuários de drogas da Cracolândia, em São Paulo, a Praça Marechal Deodoro se tornou um novo ponto de concentração. A Guarda Civil Metropolitana (GCM) não tem presença significativa na área, o que gerou um aumento nas agressões contra os dependentes. Comerciantes relataram que, nas últimas semanas, a violência se intensificou, com usuários sendo atacados e constrangidos, inclusive menores de idade, que foram abordados por agentes de segurança.

A ONG Craco Resiste, que acompanha a situação, denuncia uma "dispersão permanente" dos usuários, que agora estão sem os vínculos que tinham com assistentes sociais e comerciantes na Cracolândia. A presença de mais de cem pessoas na Praça Marechal Deodoro foi observada, mas a falta de segurança e assistência adequada levanta preocupações sobre a saúde e segurança dos dependentes químicos.

O prefeito Ricardo Nunes (MDB) expressou surpresa com a redução do número de usuários na Rua dos Protestantes, que antes era um ponto de aglomeração. Ele reconheceu que a situação não está resolvida e que a crise foi apenas redistribuída pela cidade. A operação conjunta do governo e da prefeitura na Favela do Moinho, que resultou na prisão de um traficante, foi um dos fatores que contribuíram para essa mudança.

Embora a GCM tenha sido elogiada pelo vice-prefeito Coronel Mello Araújo, a ONG Craco Resiste afirma que houve um aumento na violência das abordagens. Relatos indicam que os guardas passaram a usar força excessiva, incluindo agressões físicas e uso de spray de pimenta. A situação na Cracolândia é um problema complexo que envolve saúde, segurança pública e assistência social, sem soluções definitivas ao longo dos anos.

Dados recentes mostram que, apesar da diminuição do fluxo na Cracolândia, a crise persiste. Em 2012, uma operação semelhante resultou na dispersão de usuários para outros bairros, criando "minicracolândias". A administração municipal tem intensificado ações de assistência social e saúde, mas a falta de dados sobre a nova localização dos usuários dificulta a avaliação da situação atual.

Com a crescente necessidade de apoio a dependentes químicos e suas famílias, iniciativas que promovam a assistência e a reintegração social são essenciais. A união da sociedade civil pode fazer a diferença, ajudando a criar um ambiente mais seguro e acolhedor para aqueles que enfrentam essa dura realidade.

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